Bertha Maakaroun | Revoada de deputados começa antes da janela partidária

Federação PRD- Solidariedade já avisou a bancada estadual e federal que devem buscar nova legenda. Líder do governo João Magalhães deve deixar o MDB

Eleições 2026

A a temporada oficial da grande migração destas eleições de 2026, com a revoada em massa de deputados estaduais e federais para as novas legendas se inicia em 4 de março e se fecha em 4 de abril, seis meses antes das eleições. Alguns deputados estaduais e federais trocam de partido em acordo com a direção estadual, e, por isso, não enfrentam processo de perda de mandato: podem se antecipar, se quiserem. Dou um exemplo prático: o deputado federal Fred Costa, do PRD, que comanda na Federação PRD- Solidariedade a montagem das chapas para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados já avisou a três deputados federais e aos seus quatro deputados estaduais que devem procurar um novo partido. Já estão buscando pouso em nova legenda os deputados federais Zé Silva e Weliton Prado, ambos do Solidariedade e Pedro Aihara do PRD; na Assembleia, os deputados estaduais Roberto Andrade, Doorgal Andrada e Doutor Paulo, todos os três do PRD, além do professor Wendel, do Solidariedade também vão mudar. Quem fica nessa federação? Dois federais do PRD: o próprio Fred Costa, que articula as chapas e o deputado dr. Frederico. Esses movimentos também estão acontecendo entre parlamentares do Avante, comandado no plano nacional pelo deputado federal mineiro Luís Tibé e, em Minas, agora por Igor Eto, que deixou o Novo para assumir a nova função. Dos cinco deputados federais da bancada federal mineira do Avante, três estão com a saída certa, entre eles, André Janones. Na Assembleia, o Avante tem três deputados, entre os quais, o deputado estadual Arlen Santiago estuda se filiar ao União para concorrer a deputado federal, abrindo espaço para a filha dele, Laís, disputar a Assembleia também pelo União. Os parlamentares que ainda não formalizaram a mudança estão se acertando, entre eles, o líder do governo na Assembleia, João Magalhães, que vai deixar o MDB para se filiar ao PSD.

Na Câmara dos Deputados, o movimento mais nítido de migrações que já está se formalizando é o crescimento do Centrão pela migração de parlamentares que se elegeram pelo PL. A bancada federal do PL elegeu 99 deputados federais em 2022; agora está com 86, entre as mudanças há os mais pragmáticos que se moveram para legendas do Centrão e alguns ideológicos, para o Novo, que se firma como um braço auxiliar de viés bolsonarista. Nessa movimentação, os partidos que mais cresceram foram PSD, com cinco novos parlamentares; o Republicanos e o Podemos, com quatro cada; e o PP, três. Por que isso acontece em todo ano eleitoral? Porque parlamentares estão mais preocupados em se reeleger do que trabalhar em uma plataforma partidária que traduza um projeto político. Para grande parte do Congresso, nessa temporada de migrações, é cada um por si e, para quem acredita, Deus por todos.

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Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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