No reduto eleitoral de Ciro no Ceará, Moro afirma que ‘não se intimida a valentões’

O senador relembrou uma declaração do tucano em 2017, quando Ciro ainda estava no PDT, dizendo que receberia o juiz e a equipe dele ‘na bala’ caso Moro tentasse prendê-lo

O partido de Moro, União Brasil, deixou as portas abertas para Ciro Gomes após ele tornar pública a vontade de deixar o PDT.

O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), ex-ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PL), esteve em Sobral, município no Ceará, para apoiar o lançamento da pré-candidatura do colega de Congresso, Eduardo Girão (Novo-CE), ao governo do estado. Em meio a um “racha” da direita cearense, o ex-juiz disse que “não se intimida diante de valentões”, relembrando uma declaração de Ciro Gomes (PSDB-CE).

Em 2017, o ex-ministro da Integração Nacional de Lula (PT), até então filiado ao PDT e pré-candidato à Presidência, desafiou Moro, que era juiz da 3ª Vara Federal de Curitiba, a prendê-lo. Ciro chegou a ironizar, dizendo que o magistrado seria recebido “na bala”, em entrevista ao jornal GGN. “Ciro Gomes declarou que, se eu viesse ao Ceará, à terra dele, a Sobral, eu seria recebido com bala. Pois bem, estou aqui. E a gente não se intimida diante de valentões. A gente vai aonde quiser, porque não tem medo”, disse o senador na noite do último sábado (14).

O evento de pré-candidatura de Girão ao governo do Ceará foi marcado por alfinetadas ao tucano. Entre os recados, o senador do Novo desmereceu o nome de Ciro como possível representante da ala conservadora para enfrentar o atual governador, Elmano de Freitas (PT), que disputará a reeleição.

Girão também insinuou que o ex-ministro não teria “inteligência emocional” para ser governador do Ceará.

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Apesar das críticas feitas por Moro, o União Brasil, partido do ex-juiz, foi um dos que deixaram as portas abertas para Ciro quando o ex-governador avaliava deixar o Partido Democrático Trabalhista (PDT). No fim, no entanto, o irmão do senador Cid Gomes (PSB-CE) optou por retornar para sua antiga legenda, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Outra crise

Ainda na direita do Ceará, o nome de Ciro como candidato da oposição provocou outra crise envolvendo o clã Bolsonaro e a cúpula do Partido Liberal (PL) no estado.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que já declarou apoio ao nome de Girão para o governo, criticou o aceno do presidente da sigla no estado, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), ao tucano. Ela relembrou o posicionamento de Ciro contra Bolsonaro durante as eleições presidenciais, em especial um episódio em que o ex-governador chamou o ex-presidente de mentiroso.

As falas de Michelle foram criticadas pelos enteados Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A presidência do PL no Ceará, no entanto, afirmou que havia suspendido, por tempo indeterminado, a articulação com o ex-ministro.

Em episódio recente, Ciro saiu em defesa de André Fernandes, afirmando que ele teria sido “humilhado” pela ex-primeira-dama. Ele disse, no entanto, que “não tem nada a ver com isso”, mas que “deu o tempo” pedido pelo PL para que o “problema interno” do partido fosse resolvido. “Está guardada aqui uma vaga para que a aliança una toda a oposição para salvar o Ceará".

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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