O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (28) que há “intervenções militares ilegais” em curso na América Latina e no Caribe e criticou a falta de resposta de organismos multilaterais diante de episódios como a operação dos EUA na Venezuela. A declaração foi feita durante discurso na sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado na Cidade do Panamá.
Sem mencionar diretamente países ou operações específicas, Lula disse que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) está paralisada e não consegue sequer produzir uma declaração conjunta diante de crises na região. O presidente citou os esforços do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que exerce papel de liderança no bloco.
“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós”, afirmou.
Lula também criticou o que chamou de divisão do mundo em “zonas de influência” e “investidas neocoloniais por recursos estratégicos”, classificando esses movimentos como retrocessos históricos. A fala vai de encontro ao desejo manifestado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no petróleo explorado na Venezuela.
Antes mesmo do discurso, Lula já havia defendido maior autonomia regional e fortalecimento de organizações como a ONU como forma de preservar a soberania dos países e evitar escaladas de conflito.
O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe reúne chefes de Estado, autoridades e representantes do setor produtivo para debater desenvolvimento, investimentos e cooperação regional. Durante a viagem ao Panamá, Lula também participa de encontros bilaterais e tem previsão de assinar acordos na área econômica. A volta ao Brasil está prevista para esta quarta-feira (28).