Mesmo após a transferência de
Carlos Bolsonaro voltou a defender publicamente a mudança de regime e comparou a situação do pai a casos julgados pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça. Segundo ele, a maioria das prisões domiciliares concedidas por motivos de saúde envolveu quadros clínicos menos graves do que o de Jair Bolsonaro.
Carlos citou nomes como Fernando Collor, Paulo Maluf, Roberto Jefferson, Jorge Picciani, Geddel Vieira Lima e Luiz Estevão, além de casos de condenados que receberam o benefício por tratamento de câncer, HIV ou outras doenças. Para ele, há uma disparidade de critérios no caso do ex-presidente.
A defesa sustenta que Bolsonaro apresenta um conjunto de comorbidades comprovadas por laudos médicos, entre elas refluxo gastroesofágico com esofagite, hipertensão arterial, doença aterosclerótica do coração, problemas vasculares nas carótidas, anemia, apneia do sono e carcinoma de células escamosas, diagnosticado como câncer de pele. Além das doenças crônicas, os advogados destacam episódios recentes de soluços acompanhados de refluxos e vômitos, quadro que exige medicação com efeitos no sistema nervoso central. Bolsonaro também já passou por mais de oito cirurgias decorrentes da facada sofrida em 2018.
O senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência com apoio do pai, também se manifestou sobre o tema. Em declaração, questionou se a conduta do ministro Alexandre de Moraes seria a mesma caso o condenado fosse o ex-presidente Michel Temer. Flávio ressaltou que os medicamentos utilizados por Jair Bolsonaro para tratar o quadro crônico de soluços provocam efeitos colaterais como desequilíbrio e sonolência. Segundo ele, o ex-presidente já sofreu uma queda dentro da cela, bateu a cabeça e correu risco físico enquanto esteve sozinho na carceragem da Polícia Federal.
Para o senador, a prisão domiciliar seria a única alternativa capaz de reduzir o risco de novos acidentes até que o problema de saúde seja solucionado de forma definitiva. Ele afirmou esperar que a legislação seja aplicada e que Bolsonaro seja transferido para casa.
Apesar dos argumentos, o ministro Alexandre de Moraes autorizou apenas a transferência para um espaço com estrutura ampliada e melhores condições médicas, afirmando que o local oferece condições extremamente favoráveis em comparação ao sistema prisional brasileiro. Mesmo assim, a família e a defesa indicam que não pretendem deixar a pauta “cair” e devem continuar apresentando pedidos e manifestações ao Supremo Tribunal Federal, mantendo o tema no centro do debate jurídico e político.