Publicada lei que autoriza uso de corpos humanos no treino de cães em BH

Medida já está em vigor e, segundo o autor, atende a pedido das forças de segurança, como o Corpo de Bombeiros

A fêmea Calli, que faz parte de operações de busca e resgate do Corpo de Bombeiros, acompanhou a audiência.

A lei que autoriza a doação de segmentos amputados e de cadáveres humanos para o treinamento de cães farejadores usados em operações de busca e resgate em Belo Horizonte foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM) desta sexta-feira (16).

A proposta foi sancionada na quinta-feira (15) pelo prefeito em exercício, Professor Juliano Lopes (Podemos). O texto é de autoria do vereador Sargento Jalyson (PL) e havia sido aprovado em definitivo pela Câmara Municipal de Belo Horizonte em novembro de 2025, com 39 votos favoráveis.

A justificativa do projeto, segundo o vereador, é atender a uma demanda das forças de segurança, como, por exemplo, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).

Atualmente, os agentes que atuam na busca e no resgate de vítimas treinam os cães farejadores com o uso de uma substância sintética chamada cadaverina. O produto, no entanto, segundo o parlamentar, não “replica a complexa mistura de compostos orgânicos voláteis presentes na decomposição humana”, o que reduziria a eficácia do treinamento dos animais, comprometendo as chances de sucesso nas operações.

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A doação de segmentos amputados e de cadáveres humanos para as forças de segurança, no entanto, precisa obedecer aos seguintes requisitos:

  • consentimento livre, expresso e formal do paciente ou do falecido, manifestado em vida, ou de seus representantes legais ou familiares;
  • respeito à dignidade da pessoa humana;
  • observância das normas sanitárias, éticas e legais aplicáveis.

Os hospitais públicos e privados da capital mineira ainda precisarão assegurar o cumprimento da vontade do paciente ou do familiar responsável, acondicionar os segmentos ou os cadáveres conforme as exigências sanitárias e disponibilizá-los aos órgãos de segurança pública solicitantes, mediante controle e protocolo específicos.

Já as instituições de segurança precisam garantir o uso exclusivo dos segmentos e dos cadáveres para o treinamento dos animais e também adotar procedimentos que assegurem o respeito ético e a destinação adequada após a utilização.

Durante a tramitação do projeto na Câmara, oficiais do Corpo de Bombeiros chegaram a ir ao Plenário acompanhados dos cães para demonstrar apoio ao avanço da pauta.

O presidente do Legislativo, Juliano Lopes, sancionou a proposta no lugar do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), que está de férias. Durante esse período, o vereador ocupa interinamente a prefeitura da capital.

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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