“Hoje eu acordei cedo, fui voar e, quando cheguei de volta a BH, vi o avião e fui lá encontrar com um amigo. Ficamos conversando até a hora da decolagem. Tirei essa última foto hoje às 11h50 e fui embora para casa. Quando liguei a TV, já tinha a notícia… Meu Deus, como eu pedi para que não fosse verdade, que estivessem todos bem, que não fosse o avião, que aquilo tudo fosse um pesadelo. Afinal, eu estava ali com vocês há 15 minutos, e aquilo não podia ser verdade”, disse.
Ele contou que não teve nem tempo de tirar o uniforme e correu para o local, chegando junto com as ambulâncias, na esperança de ajudar.
“No pouco tempo do nosso encontro hoje, nós conversamos sobre o avião, e você estava todo animado, rindo (como sempre), falando dos próximos planos e me perguntando o que eu achava. Hoje, quando abracei seus pais, quis transmitir o abraço que você me deu, pois eu tinha sido o último a estar ali com vocês… Por mais que eu tente, palavras não conseguem expressar tudo o que estou sentindo. Dói e vai doer por um bom tempo. Foi uma honra ter convivido com você. Obrigado por tudo, meu amigo”, completou.
Mortos
Além de Fernando Souto Moreira, de 34 anos, filho do prefeito de Jequitinhonha, também morreu o piloto do avião, Wellinton de Oliveira Pinto. Outro passageiro, Leonardo Berganholi Martins, de 50 anos, chegou a ser internado em estado gravíssimo no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, mas faleceu na noite de segunda (4).
Outras duas vítimas estão internadas. Hemerson Cleiton Almeida Souza, de 53 anos, fraturou as duas pernas, passou por cirurgia de abertura de abdômen para controlar um sangramento na região e também está no CTI.
Arthur Schaper Berganholi, de 25 anos e filho de Leonardo, tem um quadro mais leve e estável, foi submetido a exames e fraturou uma perna.
Os corpos das vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) Dr. André Roquette e passarão por exames de necropsia.
Avião seguia para São Paulo
O avião decolou do aeroporto da Pampulha nessa segunda (4). De acordo com um amigo dos passageiros, Igor Afonso, a aeronave saiu de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri de Minas Gerais, fez escala em Belo Horizonte e seguia para São Paulo.
Autorização para voar
O avião está registrado com uma empresa de telecomunicações de Teófilo Otoni como operadora da aeronave. De acordo com a matrícula do avião no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o avião tem como operadora a empresa Inet Telecomunicações LTDA., sediada no Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Ainda de acordo com o registro, o avião foi fabricado em 1979 pela empresa Neiva e é do modelo EMB-721C.
A aeronave tem capacidade para cinco passageiros, além do piloto, e suporta até 1,6 tonelada no momento da decolagem. A consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro indica que o status da operação estava como “operação negada para táxi aéreo”.
Coleta de vestígio
Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) retomaram, nesta terça-feira (5), a coleta dos vestígios e dados no prédio atingido pela queda.
“A gente está no procedimento de Ação Inicial da ocorrência aeronáutica. Essa Ação Inicial visa a identificação e a coleta de dados que vão ser relevantes para a investigação do acidente, fatores contribuintes e o objetivo principal que é prevenir novos acidentes”, explicou coronel Carvalho, do Cenipa, à Itatiaia.
O local onde o avião caiu permaneceu isolado por equipes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) durante a madrugada. O prédio segue interditado para conclusão da perícia. Já os apartamentos 301 e 302, que ficaram com escombros, além da lateral do edifício, onde há um grande buraco provocado pelo impacto da aeronave, foram isolados preventivamente.
*com informações de Rômulo Ávila, Maria Antônia Rebouças, Giovanna Damião, Júlia Melgaço, Bernardo Estillac, Maria Fernanda Ramos, Gustavo Monteiro, Giullia Gurgel, Bruno Nogueira, Amanda Antunes, Laura Gorino, Rebeca Nicholls, Gustavo Cícero, Vinícius Brito e Mariana Taveira.