AGU responde ao STF e justifica cobrança de R$ 21 na BR-040 entre Juiz de Fora e RJ

Advocacia Geral da União respondeu a uma ação na Suprema Corte que questiona um aumento de 45% na cobrança de pedágios na rodovia privatizada que passou por processo recente de relicitação

BR-040 entre Juiz de Fora e Rio de Janeiro tem três praças de pedágio com valor básico de R$ 21

A Advocacia Geral da União (AGU) respondeu à solicitação da ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), justificando o aumento de 45% no valor do pedágio na BR-040 entre Juiz de Fora e o Rio de Janeiro. Segundo o órgão que representa o governo federal, o valor está de acordo com o previsto no edital de concessão e não pode ser comparado com os preços praticados no contrato antigo.

Em abril de 2025, o Consórcio Estrada Real — que posteriormente formaria a Elovias — venceu o leilão de relicitação do trecho da rodovia que liga a Zona da Mata Mineira com a capital fluminense. Sob o novo contrato, os preços cobrados nas praças de pedágio passaram, a partir de novembro do ano passado, de R$14,50 para R$ 21.

O aumento na cobrança motivou o Partido Renovação Democrática (PRD) a solicitar uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no STF questionando os valores. No âmbito da ação, a ministra Cármen Lúcia solicitou uma justificativa pela mudança ao governo federal, representado pelo Ministério dos Transportes.

Na resposta da AGU, disse que os valores estão previstos no edital de concessão e foram determinados de acordo com uma metodologia de cálculo e reajuste monetário e não de forma discricionária pela concessionária.

A justificativa também aponta que o valor cobrado pela Concer — a concessionária que administrava o trecho antes do novo leilão— não pode ser comparado com o preço praticado atualmente pelo Consórcio Elovias. Segundo a AGU, não é possível estabelecer esse tipo de paralelo com contratos assinados em momentos históricos distintos.

A peça é assinada pela procuradora federal e coordenadora de ações prioritárias, Talitha Braz Bernardino e pelo advogado da União, Stanley Silva Ribeiro. O texto também argumenta que é necessário prezar pela previsibilidade jurídica ao cumprir com o contrato firmado com a concessionária.

“A credibilidade, a previsibilidade e a transparência, são premissas básicas que vem sendo perseguidas visando à garantia de um ambiente propício a novos investimentos e a confiança no país. Também representa a possibilidade de uma crescente confiança para investidores e, consequentemente, a atração dos investidores nacionais e estrangeiros, que enxergam oportunidades, diante de um ambiente de negócio seguro, com riscos mensuráveis e regras previsíveis, em que há constante esforço do Ministério dos Transportes na tentativa de comunicar aos investidores de que regras claras, processos transparentes e o planejamento seguido à risca no cumprimento de cada etapa do processo de concessão de seus ativos que serão atendidos, sendo que o caminho contrário pode interromper todo o fluxo concatenado de ações de meses, senão, anos de trabalho”, diz trecho do documento.

A Procuradoria Geral da República é o próximo órgão a se manifestar na ADPF antes da decisão final da relatora Cármen Lúcia.

Pedágios até o Rio de Janeiro

A Elovias administra cerca de 218 quilômetros de estrada, a maior parte dela no estado do Rio de Janeiro. O pedágio é cobrado em três praças: Simão Pereira (MG), Areal (RJ) e Xerém (RJ).

O novo contrato, porém, determina que, neste ano, a praça de Simão Pereira seja transferida para a cidade fluminense de Comendador Levy Gasparian (RJ). Com a alteração, todas as cobranças serão feitas no Rio de Janeiro.

Em todas as praças, condutores de carros de passeio e caminhonetes pagam R$ 21. Caminhões e ônibus pagam R$ 42 e as tarifas chegam até R$ 168 no caso de caminhões com reboque com de caminhões-trator com semi-reboque.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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