Uma manobra entre as reuniões de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, que derruba o referendo popular para a privatização da Copasa, ocasionou uma mudança de papéis inusitada no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na tarde desta quarta-feira (5).
Tentando evitar a aprovação do projeto do governador Romeu Zema (Novo), a oposição quis acelerar a votação enquanto coube à base governista tentar desesperadamente editar que o texto fosse apreciado.
A distribuição tradicional de papéis em um parlamento quando a base governista é maioria consiste na situação tentando votar de forma acelerada e a oposição usando os instrumentos de fala para adiar ao máximo o momento de decisão.
Nesta quarta, na troca da reunião de plenário das 9h para a de 14h, a oposição percebeu que havia menos que os 48 deputados necessários para aprovar a chamada PEC do Referendo e decidiu reiterar os requerimentos anteriormente apresentados à mesa como forma de postergar a votação.
A tentativa foi de acelerar a votação no momento em que a base não teria os três quintos da Casa exigidos para aprovar uma proposta de emenda à Constituição.
Como contragolpe, a base governista foi obrigada a se inscrever para usar os dez minutos de fala em plenário e protelar a votação até que a situação se recompusesse no plenário. Gustavo Valadares (PSD), ex-secretário de Governo e um dos mais atuantes deputados da base, e o líder de Zema na Casa, João Magalhães (MDB), usaram seu tempo de fala e fizeram uma inesperada obstrução.
A manobra esquentou o clima no plenário durante a tarde, por volta das 15h, o líder da oposição, Ulysses Gomes (PT) e Valadares trocaram empurrões e quase se agrediram fisicamente. A previsão é de que a votação definitiva da PEC do Referendo só se dê durante a noite.