O deputado federal Júnior Mano (PSB-CE), de 40 anos, é o
Casado com a prefeita de Nova Russas, Giordanna Mano (PL), o deputado já teve o nome envolvido em outra investigação, desta vez na Justiça Eleitoral. Em maio de 2022, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) cassou os mandatos da prefeita e do vice-prefeito José Anderson Pedrosa, por abuso de poder político nas eleições de 2020.
A decisão apontava o uso da estrutura da Prefeitura de Nova Russas, como o perfil oficial no Facebook, para divulgar a participação de Giordanna - à época sem cargo público - em inaugurações e eventos institucionais entre novembro de 2019 e julho de 2020. O processo também envolvia Júnior Mano e o ex-prefeito Rafael Pedrosa, que ocupavam a administração de Nova Russas à época.
A cassação foi revertida em 1º de maio de 2024, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por unanimidade, decidiu pela recondução de Giordanna e do vice ao cargo. O relator do caso, ministro Benedito Gonçalves, considerou que não houve provas suficientes de promoção pessoal nem de uso indevido da máquina pública com fins eleitorais.
s
Natural de Nova Russas (CE), Júnior Mano foi vice-prefeito do município entre 2017 e 2019. Ele se elegeu deputado federal em 2018 e está em seu segundo mandato na Câmara. Em 2024, deixou o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e se filiou ao PSB, acompanhando o senador Cid Gomes, que também migrou do PDT para o partido ligado ao vice-presidente Geraldo Alckmin.
Com o apoio de Cid, Mano se lançou como pré-candidato ao Senado nas eleições de 2026.
A saída do partido de Bolsonaro, no entanto, não foi nada amigável. O deputado alega que foi expulso por decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O motivo foi o apoio de Mano à campanha de Evandro Leitão (PT), que disputou o segundo turno das eleições para a Prefeitura de Fortaleza contra o deputado André Fernandes (PL).
Em outubro do ano passado, o próprio parlamentar publicou um vídeo nas redes sociais relatando o episódio. Segundo ele, Bolsonaro pediu sua expulsão diretamente ao presidente estadual do PL, o deputado Carmelo Neto.
“Votei em Bolsonaro em 2022 e, quando o bolsonarismo é contrariado, sempre é tratado dessa forma, com ingratidão”, escreveu Mano na legenda da publicação.
Investigação mira fraudes em licitações e repasse de verbas com pagamento de propina
A Polícia Federal investiga se o parlamentar atuava no direcionamento de emendas a prefeituras cearenses em troca de contrapartidas financeiras ilícitas. Segundo a PF, o grupo também manipulava licitações com o uso de empresas ligadas aos envolvidos.
Com autorização do STF, foram bloqueados R$ 54,6 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Os crimes apurados incluem organização criminosa, compra de votos, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica com fins eleitorais.
O que diz o deputado
Em nota, Júnior Mano afirmou que não tem participação em licitações, ordenação de despesas ou fiscalização de contratos administrativos. Disse confiar nas instituições, especialmente no Judiciário e na Polícia Federal, e declarou ter convicção de que sua conduta será considerada correta ao fim das investigações.