Direita usa rebaixamento de escola de samba para provocar Lula: ‘Primeira derrota do ano’

Parlamentares do PL, Novo e Republicanos transformaram o resultado negativo da agremiação em munição política contra Lula

Oposição usa rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para provocar Lula e o PT: “A primeira derrota de 2026”

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói nesta quarta-feira (18), no Carnaval do Rio de Janeiro, após o desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, repercutiu fortemente entre deputados e senadores da oposição. Nas redes sociais, aliados de Jair Bolsonaro e nomes da direita transformaram o resultado em piada e deboche, além de associarem a queda da escola à expectativa de derrota do petismo nas eleições de outubro.

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) ironizou o episódio ao afirmar que “agora só falta rebaixarmos o Lula e o PT”, classificando o desfile como “propaganda eleitoral antecipada”. Em tom semelhante, o governador Romeu Zema (Novo-MG) declarou que “a primeira derrota do PT em 2026 já veio”, enquanto o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) escreveu: “Acadêmicos de Niterói caiu. O próximo será o descondenado”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também se manifestou, dizendo que “dos projetos de Deus não se zomba” e associando o resultado a uma “mensagem divina”. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) avaliou que o rebaixamento “demonstrou como o Lula está afundando o Brasil”, chamando o episódio de “homenagem adequada”.

Outros oposicionistas usaram o caso para reforçar críticas sobre o uso de recursos públicos em eventos culturais. “Dinheiro do contribuinte, palco político e promoção pessoal”, escreveu Carlos Bolsonaro. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) afirmou que “a escola que homenageou Lula com nosso dinheiro e escarneceu dos conservadores acabou de ser rebaixada”, enquanto o senador Magno Malta (PL-ES) tratou o episódio como “prenúncio do rebaixamento que o Brasil dará à esquerda em outubro”.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), adotou tom mais político. Ele afirmou que o desfile foi um “abuso de poder econômico travestido de espetáculo” e que “a tentativa de transformar o Carnaval em palanque acabou recebendo a resposta mais simbólica possível, rebaixamento e repúdio popular”.

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Reação do PT

Em nota, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, poucas horas antes da apuração, defendeu a autonomia da escola e criticou a tentativa de associar o desfile ao governo. “A Acadêmicos de Niterói teve e tem autonomia para definir seu enredo e suas alegorias. Tentar usar a construção artística da escola para atacar o presidente Lula chega a ser ridículo”, afirmou, reforçando o “respeito do presidente pela comunidade evangélica e suas lideranças”.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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