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Deputados do PT pedem intervenção da PRF para interromper caminhada de Nikolas

Os parlamentares alegam que Nikolas, ao convocar uma caminhada na rodovia federal sem comunicar previamente a PRF, colocou um grande número de pessoas em risco

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Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ).
Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ). • Reprodução / Redes Sociais | Marina Ramos / Câmara dos Deputados.

Os deputados federais Lindbergh Farias (RJ) e Rogério Correia (MG), ambos do PT, protocolaram um pedido formal para que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tome providências contra o também deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que promove uma caminhada contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e, em especial, em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os parlamentares alegam que Nikolas, ao convocar apoiadores para participarem de uma caminhada de mais de 200 km, que saiu de Paracatu, em Minas Gerais, com destino final a Brasília, colocou um grande número de pessoas em risco.

Conforme apurado pela Itatiaia na quarta-feira (21), o deputado, que começou a percorrer a BR-040 na segunda-feira (19), não comunicou previamente a PRF sobre o planejamento da caminhada, que já conta com mais de cem pessoas, entre apoiadores, deputados, senadores e vereadores.

Em nota enviada à reportagem, a Polícia informou que "monitora o deslocamento de parlamentares e populares", mas admitiu que, por questões "estritamente operacionais e de segurança viária", há riscos para os pedestres. "Visto que não houve comunicação prévia do deslocamento junto à autoridade de trânsito, o que impediu o planejamento antecipado de medidas mitigadoras de risco para o trecho", disse.

Os deputados ainda afirmam que, em diversos momentos registrados nas redes sociais, os participantes da caminhada, além de utilizarem o acostamento, também invadiram a pista de rolamento, ainda que de forma parcial, impactando diretamente o fluxo viário. "Tal circunstância cria risco direto e iminente de atropelamentos, colisões múltiplas e acidentes em cadeia, sobretudo em rodovia projetada para tráfego contínuo e veloz".

Durante a caminhada, em alguns momentos, os participantes foram acompanhados por helicópteros, o que Lindbergh e Correia classificam como "risco combinado terrestre e aéreo". "O conjunto dessas circunstâncias ultrapassa em muito o risco ordinário inerente a manifestações públicas e configura exposição concreta, atual, reiterada e crescente da coletividade a perigo relevante, decorrente de omissões organizacionais graves e de escolhas conscientes que desprezaram normas elementares de segurança".

Para os parlamentares do PT, além de violações às normas de trânsito, ao se colocar como "líder" da caminhada — responsável por divulgar e convidar apoiadores a participar de forma espontânea — Nikolas teria infringido normas de aviação civil, em razão da presença de helicópteros, e também regras do Código Penal, ao "expor a vida, a integridade física ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente".

Diante dos riscos alegados, os deputados pedem a instauração de um procedimento administrativo, por parte da PRF, para apurar a ausência de comunicação prévia. Eles solicitam ainda que o caso seja encaminhado à Polícia Federal (PF), à Procuradoria-Geral da República (PGR), à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); a extração de cópias integrais de todos os registros, relatórios, imagens, comunicações, alertas operacionais e documentos relacionados ao evento; e a adoção de medidas administrativas para impedir a continuidade da caminhada pela rodovia federal.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.