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Agropecuária mineira recebe com apreensão tarifaço de Donald Trump, diz presidente da Faemg

A insatisfação do setor começou, de acordo com Salvo, já durante a reunião dos Brics, na última semana, quando o Brasil, de acordo com ele, se aproximou de países que não são seus principais parceiros comerciais

Antônio Pitangui de Salvo, presidente da Faemg

A agropecuária mineira recebe com muita apreensão a decisão dos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump nessa quarta-feira (10), de taxar produtos brasileiros que chegarem ao país em 50% e a resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prometeu “reciprocidade”. A avaliação é do presidente do sistema Faemg-Senar, Antônio Pitangui de Salvo.

“Isso vai afetar diretamente os nossos produtores rurais mineiros, mas a gente tem que nesse momento tem uma visão de Brasil. Isso atrapalha todo o setor produtivo brasileiro e o setor agrícola e pecuário é importantíssimo e aqui em Minas Gerais não é diferente, nós estamos no meio de uma colheita de uma safra de café, nós estamos no meio de uma colheita da nossa cana de açúcar, açúcar e etanol”, afirma.

A insatisfação do setor começou, de acordo com Salvo, já durante a reunião dos Brics, na última semana, quando o Brasil, de acordo com ele, se aproximou de países que não são seus principais parceiros comerciais. Ele não cita nominalmente as nações, e ressalta que o andamento das conversas “não nos caiu bem”.

“Com o comércio a gente não pode brincar e eu espero que a gente reconduza isso para não atrapalhar brasileiros que produzem no campo e muitas vezes não estão nem preocupados com as com as políticas municipais, estaduais e federais. Precisamos ter juízo, precisamos respeitar o nosso povo, precisamos continuar dando dignidade a esse pessoal que especificamente dentro do nosso setor que produz, que trabalha, que gera riqueza, que gera segurança alimentar para os brasileiros da boa parte da população do mundo. Estamos muito assustados”, acrescenta Salvo.

De acordo com o presidente do sistema Faemg-Senar, a taxação de Donald Trump é entendida como uma retaliação pelo posicionamento do Brasil nos Brics e pela aproximação com “países que não interessam aos nossos parceiros comerciais”. “Esperamos que isso seja resolvido o mais breve possível”, completa.

Relação de Minas com os Estados Unidos

De acordo com Salvo, os Estados Unidos são um dos principais importadores de produtos mineiros, especialmente o café, cargo-chefe de Minas Gerais nas exportações. “A relação mineira, especificamente com os Estados Unidos, é bastante forte. Somos o maior exportador de café, o maior produtor e o maior exportador de café do Brasil, e os Estados Unidos são um grande comprador de café”, detalha.

Ele diz ainda que a taxação vai atrapalhar, além da cafeicultura, a produção de celulose, o açúcar produzido por usinas mineiras, dentre outros produtos. “Se esse não for bem negociada essa imposição americana sobre nós, o Brasil vai sofrer muito e com Minas Gerais não vai ser diferente. Então, a gente espera que o governo não misture política ideológica com com políticas comerciais. O Brasil é uma cadeia, um país forte, essa cadeia toda do agro e da economia como todo precisa de continuar firme para dar sustentabilidade ou crescimento tão necessário em Minas e do Brasil”, finaliza.

Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.