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8 de Janeiro: veja a cronologia hora a hora dos atos antidemocráticos

Veja os principais acontecimentos das invasões e depredações de prédios públicos em Brasília, no dia 8 de janeiro

Da posse de Lula, no dia 1º de janeiro, à desmobilização dos acampamentos em frente a quarteis do Exército, relembre como foram os eventos antes, durante e depois dos atos de 8 de janeiro.

1º de janeiro (Domingo)

Posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

5 de janeiro (Quinta-feira)

Caravanas organizadas por extremistas começam a chegar em Brasília. Segundo as forças de segurança e Advocacia Geral da União (AGU), 73 ônibus entraram na capital, levando cerca de 3 mil manifestantes.

  • 73 ônibus partiram de 9 estados = cerca de 3 mil pessoas
  • 16 ônibus partiram de cidades mineiras

6 de janeiro (Sexta-feira)

Convocações nas redes sociais aumentam e grupos bolsonaristas anunciam ato em protesto contra a eleição do presidente Lula. Novas caravanas continuam chegando em Brasília e se juntando aos manifestantes que estavam acampados no quartel general do Exército.

7 de janeiro (Sábado)

Mais 80 ônibus chegam à capital federal.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, assina portaria autorizando a ação da Força Nacional em Brasília. O texto cita que o uso da tropa pode ser usado “na proteção da ordem pública e do patrimônio público e privado entre a Rodoviária de Brasília e a Praça dos Três Poderes, assim como na proteção de outros bens da União situados em Brasília, em caráter episódico e planejado, nos dias 7, 8 e 9 de janeiro de 2023".

Moraes determina fim do acampamento na avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte - ministro derrubou uma decisão da primeira instância da Justiça de Minas que havia liberado o acampamento na avenida Raja Gabaglia, em frente ao quartel da 4ª Região Militar.

Moraes ordenou a “imediata desobstrução da avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, e das áreas no seu entorno, especialmente junto a instalações militares”, caso contrário os participantes deveriam pagar uma multa de R$ 100 mil.

GSI dispensa reforço em Brasília - Apesar da chegada de dezenas de ônibus com manifestantes, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) dispensou parte dos homens que faziam parte do Batalhão da Guarda Presidencial e atuavam no Palácio do Planalto.

8 de janeiro (Domingo)

9h - Manifestantes que estavam acampados em frente ao quartel do Exército se organizam para um ato de protesto contra a eleição de Lula. Muitos pediam a intervenção das Forças Armadas e a ocupação dos Três Poderes.

11h - Agência Brasileira de Inteligência alerta sobre risco de invasões aos prédios públicos na capital federal. Um relatório foi encaminhado para as forças de segurança.

12h30 - Momentos antes de os manifestantes deixarem o quartel general do Exército, um policial militar sobe no palanque montado e explica como seria feito o esquema de segurança para o ato. Ele diz que a caminhada seria feita de forma “organizada” e “pacífica”.

“Nós estamos aqui para fazer a segurança dos senhores na via, uma vez que ela será compartilhada com veículos. Então a gente pede literalmente, quando forem descer pela avenida do exército, desçam próximo ao meio fio, na contramão à esquerda, para que quem esteja circulando em Brasília consiga circular do outro lado. Vamos fechar duas faixas para os senhores, a primeira próximo ao meio fio e a segunda. A terceira é da PM. Vamos estar em contato com a coordenação do evento, qualquer necessidade que tenha, nós paramos e acertamos. Estamos aqui para colaborar, ajudar e fazer a segurança de vocês”

13h - Multidão parte do quartel do Exército em direção à esplanada dos Ministérios.

13h23 - Secretário-executivo de Segurança do Distrito Federal, Fernando Oliveira, envia áudio para o governador Ibanêis Rocha (MDB) dizendo que a situação estava tranquila e sob controle.

“Bom dia, governador. Delegado Fernando falando. Vou passar o último informe do meio dia. Tudo tranquilo, os manifestantes estão descendo de forma controlada, escoltados pela polícia, foi negociado com a polícia para eles descerem de forma pacífica. (...) O clima está bem tranquilo e ameno, bem suave, a manifestação é totalmente pacífica, não há informe de agressividade. Tem aproximadamente 150 ônibus no DF, tudo de forma ordeira e pacífica. No final da tarde passo um novo informe para o senhor”.

14h30 - Manifestantes furam o bloqueio que havia sido montado para evitar a entrada na Esplanada dos Ministérios. Muitos se dirigem para o Congresso Nacional, outros grupos se dividem entre o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto.

15h - Extremistas invadem o plenário do Senado Federal e depredam salões na Câmara dos Deputados. Alguns agentes das forças de segurança entram em conflito com os manifestantes, mas não conseguem conter a invasão.

15h40 - Extremistas invadem o Palácio do Planalto, depredando vidros e móveis da sede do Poder Executivo. Apenas 40 oficiais do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) estavam trabalhando. Vídeos mostram uma ação descoordenada entre os agentes que faziam a proteção do Planalto.

16h - Várias pessoas invadem o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), depredam a sala do plenário e quebram vidraças do tribunal. Porta do armário que era usado pelo ministro Alexandre de Moraes é arrancada e destruída.

16h30 - Reforços das forças de segurança chegam à Praça dos Três Poderes e começam a esvaziar os prédios públicos. Alguns manifestantes que estavam no Palácio do Planalto se ajoelham e começam a rezar e cantar o hino nacional. Eles recebem voz de prisão do comando da Polícia Militar.

17h10 - Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, anuncia a demissão do secretário de Segurança, Anderson Torres. O secretário estava em viagem nos Estados Unidos.

17h50 - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem ao interior de São Paulo, anuncia a intervenção federal em Brasília e nomeia Ricardo Capelli como interventor na capital federal.

“Invadiram a sede do Governo, invadiram a sede do Congresso Nacional, invadiram a Suprema Corte, como verdadeiros vândalos, destruindo o que encontravam pela frente.”

18h - Todos os policiais do DF são convocados para atuar na Praça dos Três Poderes e milhares de manifestantes são presos.

18h30 - AGU pede ao Supremo que seja expedido um mandado de prisão em flagrante contra Anderon Torres (que havia sido demitido da Secretaria de Segurança).

19h - Governador Ibaneis Rocha liga para os presidentes da República, do Senado, da Câmara e do STF pedindo desculpas: “O que aconteceu hoje na nossa cidade foi simplesmente inaceitável”.

20h36 - Lula desembarca em Brasília e segue em direção ao Palácio do Planalto para inspecionar o prédio do Executivo alvo de vândalos.

21h17 - Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usa suas redes sociais para condenar invasões e depredações de prédios públicos.

“Manifestações pacíficas, na forma da lei, fazem parte da democracia. Contudo, invasões e depredações de prédios públicos como ocorrido no dia de hoje, assim como os praticados pela esquerda em 2013 e 2017, fogem à regra”

22h - Ao lado dos ministros Rosa Weber (presidente do STF), Luis Roberto Barroso e Dias Toffoli, Lula e ministros do governo petista fazem uma vistoria no prédio do Supremo Tribunal Federal.

9 de janeiro (Segunda-feira)

00h15 - Alexandre de Moraes determina o afastamento do governador Ibaneis Rocha por 90 dias. A decisão aconteceu sem que o ministro tivesse sido provocado por algum órgão ou por algum parlamentar.

7h - Forças de segurança retiram os acampamentos que estavam instalados em frente ao quartel do Exército e centenas de manifestantes são presos e levados em ônibus para a Academia de Polícia Federal.

Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
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