Lula sobre possível insucesso de acordo entre Mercosul e União Europeia: ‘vai ficar patenteado de quem foi a culpa’

Lula afirmou, em Dubai, que a França sempre foi contra o tratado

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Reunião com o Presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, na Expo Dubai. Dubai - Emirados Árabes Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, neste domingo (3), que se o acordo entre a União Europeia e o Mercosul não for fechado, a culpa não será do Brasil e nem do Mercosul. O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou o acordo Mercosul União Europeia. Ele chamou o acordo de “incoerente” e disse ser “totalmente contra”. Para ele, o acordo, que vem sendo negociado há décadas, está sendo “mal remendado”.

“A França sempre foi o país que criou obstáculo no acordo do Mercosul com a União Europeia porque a França tem milhares de pequenos produtores e eles querem produzir os seus produtos. O que ele não sabe é que nós também temos 4 milhões e seiscentos mil pequenos propriedades que produzem quase 90% do alimento que nós comemos e que são alimentos de qualidade e que nós também queremos vender”, pontuou o presidente Lula em coletiva.

Lula disse que tentou convencer Macron sobre o acordo: “ontem eu fiz uma reunião com o Macron para tentar mexer com o coração dele. Eu falei Macron, quando você voltar para a França, abra o seu coração, pensa um pouco na América do Sul, pensa no Mercosul. Nós somos países pobres. E parece que ele não pensou. Se não tiver acordo paciência, não foi por falta de vontade”.

“Uma coisa que tem que ficar claro, é que não é por conta do Brasil, que não é por conta da América do Sul. Assuma a responsabilidade de que os países ricos não querem fazer um acordo na perspectiva de fazer qualquer concessão. É sempre ganhar mais. E nós não somos mais colonizados. Nós somos independentes e nós queremos ser tratado apenas com respeito de países independente que temos coisas para vender e as coisas que não tem para vender tem preço. O que nós queremos é um certo equilíbrio”, afirmou Lula.

“Nós vamos ter uma conversa. Eu tive uma grande conversa com Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Vamos ver como é que vai acontecer. Se não der acordo, pelo menos vai ficar patenteado de quem é a culpa de não ter acordo. Agora o que a gente não vai fazer é um acordo para tomar prejuízo”, finalizou Lula..

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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