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CPI pede condução coercitiva de pai dos sócios da 123milhas e empresários ligados ao grupo

Pai dos sócios da 123milhas e empresários ligados ao grupo faltaram à sessão desta terça-feira (3) da CPI e serão conduzidos coercitivamente

Presidente da CPI das Pirâmides Financeiras pediu a condução coercitiva de empresários ligados à 123milhas

O pai dos sócios-proprietários da 123milhas, José Augusto Madureira, e três empresários ligados aos negócios do grupo serão conduzidos coercitivamente pela Polícia Federal (PF) para depor à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Pirâmides Financeiras. Inicialmente, eles prestariam depoimento à CPI nesta terça-feira (3), mas não vieram à sessão, e o presidente Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) decidiu pedir o apoio da PF para cumprimento da ordem.

A empresa que negocia passagens aéreas e pacotes promocionais para viagens é um dos principais alvos da CPI, e o relator Ricardo Silva (PSD-MG) deve, aliás, pedir o indiciamento dos dois sócios, Ramiro Júlio Soares Madureira e Augusto Júlio Soares Madureira. O grupo suspendeu a emissão de bilhetes aéreos em 18 de agosto, e aos cancelamentos se sucederam demissões em massa e um pedido de recuperação judicial protocolado na Vara de Belo Horizonte.

Para a sessão desta terça-feira da CPI eram aguardados José Augusto Madureira — pai dos sócios e proprietário de uma empresa de publicidade que negociava com a 123milhas, Rogério Júlio Soares Madureira, Larissa Rodrigues Garcia Goulart Ferreira e Antônia Cristina Soares Madureira.

CPI será encerrada em 11 de outubro

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga pirâmides financeiras no Brasil chegará ao final no próximo 11 de outubro, e o relatório do deputado Ricardo Silva (PSD-SP) pedirá os indiciamentos dos irmãos Ramiro Júlio e Augusto Júlio Soares Madureira. “Certamente serão indiciados”, atestou Ricardo Silva nesta segunda-feira. “Também estamos investigando a conduta dos diretores”, afirmou.

A CPI chegou à 123Milhas após a suspensão da emissão dos pacotes de viagem e detectou a possibilidade do grupo operar em um modelo de pirâmide. O negócio não era sustentável, segundo detalhou o deputado. “Estamos caminhando para a conclusão de que o modelo era insustentável desde o início em razão dos fluxos bancários. Por exemplo, se entrava R$ 1.000, eles gastavam R$ 1.500", citou. “Sempre entrava menos que saía. E como eles mantinham? Com empréstimos bancários altos e atraindo mais clientes com publicidade”, pontuou o relator.

Ricardo Silva indicou ainda que, no início das investigações, a CPI avaliava que as fraudes ligadas à 123Milhas se referiam apenas ao plano promocional, o que não se sustentou. “Começamos a entender que a empresa opera em situação ilícita desde 2019. Levantamos que era uma empresa insustentável e eles, de fato, se mantinham trazendo mais clientes, cada vez mais clientes. O que justifica os gastos com publicidade”, afirmou. “E para o dinheiro ficar com eles [sócios], os gastos com publicidade eram feitos com a agência do pai. Era um negócio triangulado”, cravou.

Inicialmente, a CPI das Pirâmides Financeiras acabaria na última quinta-feira (28). Mas o relator Ricardo Silva e o presidente Aureo Ribeiro conseguiram autorização do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), para prorrogá-la até 11 de outubro. A comissão mira esquemas de pirâmides ligados a ativos digitais, como criptomoedas e milhas aéreas. Em relação à 123Milhas, o relator calcula que, pelo menos, 700 mil pessoas foram lesadas pelo grupo.

Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.