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Haddad buscará investimento de R$ 500 milhões para programa de hidrogênio renovável da USP

Ministro Fernando Haddad (PT) esteve na Universidade de São Paulo (USP) neste sábado e reforçou importância da economia verde para o Governo Federal

A intercessão entre economia e meio ambiente se converteu na grande pauta discutida pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) nos últimos meses; principalmente após a apresentação do Plano de Transformação Ecológica do governo Lula (PT) em agosto e as iniciativas do Governo Federal para acelerar um crescimento econômico alinhado ao meio ambiente. Depois de liderar a comitiva do Brasil na Semana do Clima, em Nova Iorque, Haddad esteve na Universidade de São Paulo (USP) neste sábado (23) para conhecer o programa-piloto da Cidade Universitária que produz hidrogênio renovável a partir de etanol. O ministro adiantou seu interesse pelo projeto e indicou que irá pleitear o investimento necessário ao programa.

“Vim conhecer esse que me parece o projeto mais avançado na área de transformação ecológica no Brasil. Salvo engano, a USP está liderando com parcerias público-privadas e com órgãos públicos uma pesquisa de ponta sobre a transformação do etanol em hidrogênio, que permitirá praticamente acabar com a poluição de veículos motorizados”, disse. “Esse empreendimento depende de mais recursos, algo em torno de R$ 500 milhões, o que me parece pequeno à luz dos benefícios que pode trazer para a humanidade”, acrescentou. Haddad afirmou que levará a proposta à consideração dos órgãos federais para garantir o valor necessário ao programa.

Títulos Verdes, Combustível do Futuro e Mercado de Carbono

A pauta econômica aliada à sustentabilidade esteve bastante presente nas reuniões das quais participou o ministro Haddad em Nova Iorque, nos Estados Unidos, na última semana. Informalmente, o petista liderou a comitiva de brasileiros na Semana do Clima e apresentou a proposta de Transformação Ecológica para autoridades e investidores estrangeiros no encontro da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e em eventos nas universidades de Harvard e Columbia.

Na ida à USP neste sábado, o ministro da Fazenda reforçou que o governo se divide em frentes para garantir o avanço da pauta no Brasil. No Congresso Nacional, Haddad aguarda as discussões da Câmara dos Deputados sobre o Projeto de Lei (PL) do Combustível do Futuro, que prevê estímulos ao uso de combustíveis sustentáveis no setor de transportes, e do Senado Federal sobre o PL que regulamenta o mercado de carbono.

Essa proposta tramita na Comissão de Meio Ambiente e estabelece as bases do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), e o governo Lula planeja emitir os primeiros créditos de carbono no próximo ano. Em linhas gerais, o PL prevê que as empresas que ultrapassarem o limite de emissões de carbono deverão reduzi-las ou comprar créditos de carbono daquelas que emitirem taxas inferiores ao teto.

“Vamos concluir os instrumentos financeiros do Plano de Transformação Ecológica até o final do ano”, indicou. “A emissão dos primeiros títulos soberanos sustentáveis acontecerá nas próximas semanas”, assinalou em referência aos Títulos Verdes, ação inédita do governo brasileiro para oferecer ao mercado financeiro internacional títulos da dívida externa com critérios sustentáveis.

Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.
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