Hip Hop deve ser reconhecido como Patrimônio Imaterial Brasileiro

O frevo, a roda de samba, a roda de capoeira, o Maracatu, Forró e Carimbó já são manifestações culturais reconhecidas como patrimônio imaterial brasileiro

Movimento Hip Hop

A cultura Hip Hop deve ser reconhecida como Patrimônio Imaterial Brasileiro. O pedido foi protocolado no Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN). O dossiê, com a história do Hip Hop, foi feito a partir de um instrumento do IPHAN chamado inventários participativos.

O documento passa por um processo de análise, em uma câmara técnica do órgão e depois passa pelo crivo de um conselho consultivo. “Nós tivemos um movimento super interessante, que foi a aplicação dos inventários participativos no movimento Hip Hop , no movimento nacional do Hip Hop. Eles trabalharam com os inventários participativos em todos os estados para recuperar a história do Hip Hop em cada região do Brasil e nos entregaram um dossiê pedindo que o Hip Hop seja registrado como Patrimônio Imaterial Brasileiro”, afirmou o presidente do IPHAN, Leandro Grass, em entrevista ao podcast Abrindo o Jogo.

Ainda não há um prazo definido para resposta. “Cada solicitação tem um tamanho, digamos assim. Então, por exemplo, para registrar certos bens, a gente consegue avançar mais rápido, que são menos comunidades, são regiões mais específicas. No caso desse do Hip Hop, é um trabalho mais extenso, porque ele está presente no Brasil inteiro. Embora ele já tenha feito o dever de casa, uma articulação brilhante, maravilhosa, supervaliosa, a gente agora vai pegar esse documento, passar para um processo de análise do IPHAN, vai para uma câmara técnica, e essa câmara técnica valida esse dossiê. O conselho consultivo do IPHAN, que é formado por pessoas de notório saber, membros da sociedade civil, especialistas e alguns membros de ministérios, aprovam ou não o registro. Assim como também acontece com o tombamento, nunca é uma decisão do presidente do IPHAN ou de um diretor. É uma decisão sempre colegiada, fruto de um trabalho de pesquisa, um processo administrativo que culmina no registro ou no tombamento”, explicou.

O Frevo, a Roda de samba, a Roda de capoeira, o Maracatu, Forró e Carimbó já foram reconhecidos como Patrimonio Imaterial Brasileiro. E o Choro está em processo de reconhecimento. “Temos alguns belos exemplos que começaram a ferver numa certa região, mas expandiram para o resto do Brasil. A gente pode falar do Frevo, que embora seja concentrado em Pernambuco, ele hoje se faz presente em vários lugares. É um patrimônio imaterial, inclusive da humanidade. Ele já foi reconhecido em nível internacional também. Nós temos a Roda de samba, nós temos a Roda de capoeira, nós temos o Maracatu, o Carimbó. Existe agora um processo de registro super interessante que está pra ser concluído que é do Choro, da Roda de choro que também está em todo o brasil. Então são exemplos de culturas que nascem ou tem mais força num certo território, mas que também abrange o Brasil inteiro. Forró é também patrimônio imaterial, a gente hoje presencia o forró em vários lugares praticamente no Brasil inteiro”, exemplificou.

Inventário Participativo

O inventário participativo é um instrumento disponibilizado pelo IPHAN que oferece orientações, passo a passo, sobre como documentar informações sobre algo que possa ser considerado um patrimônio e como formalizar o processo de reconhecimento.

Patrimônio Imaterial

Podem ser considerados patrimônios imateriais, segundo IPHAN, referências simbólicas dos processos e dinâmicas socioculturais de invenção, transmissão e prática contínua de tradições fundamentais para as identidades de grupos, segmentos sociais, comunidades, povos e nações.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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