No universo dos pets, atingir a marca dos 20 anos é um feito admirável. Mas uma gata britânica chamada Flossie desafiou as estatísticas biológicas da longevidade felina. Nesta semana ela completou 30 anos, quebrando o próprio recorde, quando foi oficialmente reconhecida pelo Guinness World Records como a gata viva mais velha do mundo, então aos 26 anos.
A trajetória de Flossie não é apenas um registro de recorde, mas um relato de sobrevivência e da importância do bem-estar animal em todas as fases da vida.
A história dela começou em 1995, quando foi resgatada de uma colônia de gatos que vivia próxima a um hospital em Merseyside, no Reino Unido. Desde então, ela passou por várias famílias, enfrentando o luto de ver seus tutores partirem, até chegar ao seu lar atual, onde vive monitorada.
A confirmação do recorde veio após uma análise rigorosa do Guinness em conjunto com a instituição de caridade Cats Protection. Craig Glenday, editor-chefe do Guinness World Records, expressou a raridade do evento em um vídeo no canal oficial da entidade:
“Ficamos boquiabertos ao saber da existência da Flossie. Não é todo dia que você encontra um gato que nasceu nos anos 1990. Isso é o equivalente a mais de 120 anos humanos, o que a coloca no mesmo patamar de Jeanne Calment, a supercentenária francesa que viveu até os 122 anos e detém o recorde de pessoa mais velha”
Glenday reforça que o caso de Flossie é um lembrete da resiliência desses animais: “Estamos felizes em celebrar sua longa vida e sua capacidade de adaptação. É incrível ver uma gata tão resiliente ainda encontrando conforto e alegria em um novo lar depois de tantas décadas”.
A vida com uma recordista
Atualmente, Flossie vive com Vicki Green, uma tutora experiente em gatos idosos, que a adotou através da Cats Protection. Vicki relata que, apesar das limitações físicas comuns à idade, como a perda parcial da visão e a surdez, a gata mantém uma qualidade de vida invejável e uma personalidade vibrante.
Ao periódico The Guardian, Vicki descreveu a rotina da recordista: “Ela nunca torce o nariz para uma boa refeição. Flossie é muito carinhosa e adora dormir enrolada em seu cobertor amarelo favorito. Ela está surda e não enxerga muito bem, mas nada disso parece incomodá-la. Ela aceita tudo com muita calma e ainda é muito curiosa.”
Para a tutora, o fato de ter uma recordista mundial no sofá de casa é secundário ao prazer da companhia: “Eu sabia desde o início que Flossie era uma gata especial, mas não imaginava que compartilharia minha casa com uma detentora de título mundial. Ela é tão doce e brincalhona que é fácil esquecer que ela já viveu tanto tempo”.
A história de Flossie serve como conscientização. Muitas vezes, gatos idosos são os últimos a serem escolhidos em abrigos, sob o estigma de que “viverão pouco tempo” ou “darão muitos gastos médicos”. Naomi Rosling, da coordenação da filial da Cats Protection, destaca a importância da visibilidade que o recorde trouxe, ainda ao The Guardian:
“Ficamos impressionados quando vimos que os registros veterinários da Flossie indicavam que ela tinha quase 27 anos. A maioria dos tutores de gatos prefere adotar filhotes, deixando os idosos passarem seus últimos dias em abrigos. A história da Flossie prova que cada gato, independentemente da idade, merece uma chance de um lar amoroso.”
Naomi reforça que animais seniores têm vantagens que muitos desconhecem: “Eles são mais calmos, já têm sua personalidade formada e, como a Flossie demonstrou, podem ser companheiros incrivelmente resilientes e gratos por uma cama quente e carinho”.