Com a chegada das férias de janeiro, a procura por creches e hotéis para cães cresce, pois para muitos tutores, é o momento de garantir que o pet se divirta enquanto a família viaja ou trabalha.
Mas o aumento da demanda nesta época do ano pode trazer um risco invisível: a superlotação e o relaxamento de protocolos de segurança. Escolher um local apenas pela proximidade ou preço pode transformar o descanso em tragédia.
Especialistas alertam que o “clima de festa” das férias não deve anular o rigor na hora de escolher o local ideal para deixar seus pets. Juliana Ferreira, médica veterinária e consultora de bem-estar animal, explica porquê o mês de janeiro é crítico para acidentes.
“O calor intenso somado a um número maior de cães em um mesmo espaço aumenta a irritabilidade dos animais e o risco de surtos de doenças oportunistas. Se a creche não tiver um plano de contingência para o verão, o animal pode sofrer de hipertermia a problemas gastrointestinais severos”.
Antes de fechar o contrato de férias, a primeira pergunta deve ser sobre o limite de vagas. Muitos estabelecimentos aceitam mais cães do que sua estrutura comporta para aproveitar a alta temporada.
O adestrador e especialista em comportamento canino, Paulo Resende, enfatiza que a vigilância não pode ser negligenciada:
“Nas férias, o número de monitores precisa aumentar proporcionalmente ao número de hóspedes. Um monitor que cuida de 10 cães em março não terá a mesma eficiência cuidando de 20 em janeiro. O tutor deve exigir saber quantos profissionais estarão no chão com os cães em cada turno. Sem supervisão ativa, sinais de agressividade passam despercebidos.”
Além disso, o calor de janeiro no Brasil é um fator de risco para cães, especialmente braquicefálicos, com o focinho curto. A infraestrutura deve ser avaliada considerando o verão.
“Verifique se o piso das áreas externas é térmico ou se queima as patinhas. Há sombra natural ou toldos suficientes? O acesso à água é livre e a água é trocada com frequência? Uma creche segura em janeiro precisa ter áreas climatizadas para os horários de pico de calor, entre 10h e 16h”, orienta Juliana.
Por fim, como os cães vêm de diferentes famílias e regiões para o mesmo hotel, a barreira sanitária deve ser rígida na creche e hotelzinho. Se o local aceitar o cão cão sem exigir a carteira de vacinação atualizada, ele está aceitando outros cães na mesma condição.
Paulo Resende alerta para o perigo das “vacinas esquecidas": “Não é apenas a Raiva e a V10. Nas férias, o contato intenso exige proteção contra a Tosse dos Canis e a Giárdia. Se o local não pede o controle de pulgas e carrapatos no check-in, ele está sendo negligente. Um único animal infestado pode contaminar todo o grupo em um final de semana.”