As festividades de fim de ano podem representar um período de terror para os animais de estimação, especialmente cães e gatos. E representam também alto risco de fuga. O estampido e o brilho dos fogos, uma tradição em muitas cidades brasileiras, podem desencadear pânico nos pets e levar a um aumento alarmante no número de desaparecimentos.
Os animais têm uma audição mais sensível que a humana. Cães e gatos conseguem captar sons em frequências muito mais altas, e o volume percebido é exponencialmente maior. Para eles, o som repentino dos fogos de artifício não é apenas alto; é ensurdecedor e frequentemente interpretado como uma ameaça iminente à vida.
Segundo a médica veterinária Ana Paula Brandão, especialista em comportamento animal, “a natureza abrupta e imprevisível do barulho ativa o sistema nervoso de emergência dos animais. Isso gera uma reação instintiva de luta ou fuga intensa. Em casa, essa reação se manifesta como tremores incontroláveis, vocalização como latidos ou miados incessantes, salivação excessiva e, no pior cenário, a tentativa desesperada de escapar do ambiente que se tornou assustador e ameaçador.”
Este comportamento de fuga, impulsionado pelo pânico, é a principal causa de acidentes, atropelamentos e desaparecimentos na virada do ano. Dados de abrigos e ONGs brasileiras, como a Associação Brasileira de Proteção Animal (ABPA), mostram um aumento superior a 50% nas ocorrências de pets perdidos nas 48 horas críticas que envolvem a noite de Réveillon.
A Itatiaia preparou algumas dicas para passar a noite de Reveillon de forma segura:
- Certifique-se de que o pet está com coleira e uma plaquinha de identificação contendo seu nome e um telefone de contato atualizado. O microchip também é uma ferramenta de identificação segura.
- Prepare um cômodo interno da casa, sem acesso fácil à rua, com portas e janelas bem fechadas. O local deve ter a cama do pet, potes de água e comida, brinquedos favoritos e um cheiro familiar.
- Ligue a televisão ou o rádio em volume moderado, preferencialmente em canais com música clássica ou sons calmantes, para abafar o barulho externo dos fogos.
- Se possível, passe a virada com seu pet. A presença humana pode ser reconfortante. Se não for possível, peça a um vizinho ou parente para monitorá-lo.
Estatísticas e a legislação no Brasil
A crescente preocupação com o bem-estar animal levou diversas cidades brasileiras a implementar leis que restringem ou proíbem fogos de artifício com barulho (os chamados “fogos de estampido”). Cidades como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG) já têm legislação que prioriza os fogos silenciosos ou de baixo ruído.
“A proibição de fogos com estampido é um avanço civilizatório que protege não apenas os animais, mas também idosos, autistas e bebês,” afirma o advogado Roberto Almeida, especialista em Direito Animal. Contudo, o uso clandestino ou em municípios vizinhos que ainda permitem fogos ruidosos exige vigilância e preparo constante dos tutores.