Sistema gastrointestinal deve ser uma das principais preocupações de tutores de pet

O microbioma intestinal tem papel central e alterações podem comprometer a função digestiva e favorecer processos inflamatórios; saiba mais

A alimentação tem papel muito importante no suporte ao tratamento veterinário, principalmente em casos de sensibilidade digestiva

Vômitos recorrentes, diarreia, gases, fezes amolecidas ou perda de apetite estão entre as queixas mais comuns em consultas veterinárias de cães e gatos. Embora muitas vezes tratados como problemas pontuais, esses sinais podem indicar desequilíbrios no sistema gastrointestinal, que desempenha papel central na saúde geral dos animais.

O trato gastrointestinal é responsável não apenas pela digestão e absorção de nutrientes, mas também por funções imunológicas importantes. Em cães e gatos, alterações intestinais podem impactar diretamente o sistema imunológico, a saúde da pele, o comportamento e até a resposta a tratamentos médicos.

De acordo com diretrizes da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), a nutrição deve ser considerada parte fundamental do cuidado clínico. Em seu Global Nutrition Guidelines, a entidade afirma que “a nutrição é um componente essencial da avaliação clínica de todos os pacientes veterinários”, reforçando que distúrbios gastrointestinais exigem abordagem integrada entre diagnóstico, manejo alimentar e acompanhamento profissional.

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Problemas gastrointestinais podem ter causas diversas, como infecções, parasitas, intolerâncias alimentares, estresse, doenças inflamatórias intestinais ou mudanças bruscas na dieta. Por isso, a automedicação ou a troca de alimentos sem orientação pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto.

A nutrição como suporte

A alimentação tem papel muito importante no suporte ao tratamento veterinário, principalmente em casos de sensibilidade digestiva. Dietas formuladas para o cuidado gastrointestinal costumam priorizar ingredientes de alta digestibilidade, equilíbrio de fibras e nutrientes que auxiliam na manutenção da microbiota intestinal.

Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária, em nota técnica sobre nutrição animal, “qualquer intervenção alimentar deve ser orientada por médico-veterinário, considerando o histórico clínico, a espécie, a idade e as necessidades específicas do animal”. A entidade destaca que a alimentação não substitui o tratamento, mas atua como aliada no controle e na prevenção de agravos.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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