Câmeras e ‘telefones’ para pets viram febre entre tutores; saiba mais

Tendência pode trazer segurança e proximidade, mas não substitui cuidado, presença e responsabilidade, orientam especialistas

Brinquedos mal conservados podem acumular sujeira visível, odores e até atrair insetos

Deixar cães e gatos sozinhos em casa ainda é uma das principais preocupações dos tutores. Nos últimos anos, essa ansiedade ganhou uma resposta tecnológica: câmeras inteligentes e dispositivos interativos para pets, capazes de transmitir imagens em tempo real, permitir comunicação por áudio e até liberar petiscos à distância.

Esses equipamentos já são vistos como a nova febre entre tutores conectados. De acordo com o portal Olhar Digital, a popularização desses dispositivos está ligada à combinação entre rotinas urbanas cada vez mais longas fora de casa e ao avanço da chamada pet tech, área da tecnologia voltada exclusivamente ao bem-estar animal.

Especialistas em comportamento animal, no entanto, fazem ressalvas importantes. Em entrevista, a médica-veterinária Denise Simões, especialista em medicina comportamental, afirma que “câmeras podem ajudar o tutor a identificar sinais de estresse ou ansiedade de separação, mas não substituem a presença, o exercício físico e a socialização adequados”.

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A preocupação não é infundada. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) reconhece que cães e gatos podem desenvolver ansiedade por separação, quadro caracterizado por vocalização excessiva, destruição de objetos e alterações fisiológicas quando ficam sozinhos por longos períodos. Para o órgão, tecnologias de monitoramento podem ser úteis como apoio, desde que façam parte de uma rotina mais ampla de cuidados.

O mercado acompanha esse movimento. De acordo com relatório da consultoria Global Market Insights, o segmento de câmeras de monitoramento para pets cresce impulsionado pela busca por soluções que permitam “acompanhar o bem-estar do animal em tempo real e reforçar a conexão emocional com o tutor”. O estudo aponta que funções como áudio bidirecional e distribuição remota de petiscos estão entre as mais procuradas.

Ainda assim, veterinários reforçam que o uso deve ser criterioso. A Itatiaia listou o que esses dispositivos oferecem e seus limites, confira:

  • Transmissão de imagem ao vivo, permitindo que o tutor acompanhe o comportamento do animal em tempo real
  • Áudio bidirecional, que possibilita ouvir e falar com o pet à distância
  • Liberação remota de petiscos, usada como estímulo ou reforço positivo
  • Alertas de movimento, que ajudam a identificar comportamentos fora do padrão
  • Auxílio no monitoramento da ansiedade, mas sem substituir exercício, rotina e enriquecimento ambiental
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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