Saiba por que porquinhos-da-índia não devem ser criados sozinhos

Especialistas alertam que porquinhos-da-índia solitários tendem a adoecer mais e apresentar comportamentos de medo ou inatividade

Em roedores, o isolamento está associado a apatia, estresse, medo excessivo e queda da imunidade

Porquinhos-da-índia podem parecer pets tranquilos e independentes, mas os tutores sabem que não é bem assim. Esses pequenos roedores são animais gregários, ou seja, dependem da convivência com outros da mesma espécie para manter equilíbrio emocional, comportamento saudável e até expectativa de vida maior.

De acordo com materiais educativos do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP), animais gregários são aqueles que “vivem naturalmente em grupos, estabelecem vínculos sociais e apresentam alterações comportamentais quando privados da convivência com indivíduos da mesma espécie”.

Em roedores, o isolamento está associado a apatia, estresse, medo excessivo e queda da imunidade. Por isso, mantê-los sozinhos é uma má escolha e pode representar sofrimento crônico e prejuízos à saúde mental.

A importância da companhia é tão reconhecida que, na Suíça, a legislação de bem-estar animal proíbe a criação de porquinhos-da-índia “sozinhos”. Segundo o Escritório Federal de Segurança Alimentar e Veterinária do país, “porquinhos-da-índia são animais sociais e não devem ser mantidos sozinhos”, pois o isolamento é considerado uma forma de sofrimento animal.

A norma faz parte da Animal Welfare Ordinance, referência internacional em proteção animal, assim como de entidades como a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA). A organização explica que esses animais se comunicam constantemente por sons e linguagem corporal, algo impossível de substituir com interação humana.

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No Brasil, veterinários que atendem pets não convencionais também observam esse impacto na prática clínica. Em entrevista ao Cães & Gatos, especialistas em animais silvestres e exóticos também alertam que porquinhos-da-índia solitários tendem a adoecer mais e apresentar comportamentos de medo ou inatividade, sinais clássicos de sofrimento emocional em roedores.

Estudos acadêmicos publicados em revistas científicas brasileiras de medicina veterinária, indicam que a convivência social reduz níveis de estresse e favorece comportamentos naturais, como exploração do ambiente, vocalização e alimentação adequada, fatores diretamente ligados à saúde e à expectativa de vida.

A Itatiaia listou tudo o que tutores que desejam oferecer bem-estar real ao animal devem saber:

  • Porquinhos-da-índia são animais gregários por natureza e precisam viver em pares ou pequenos grupos para manter saúde emocional
  • Isolamento prolongado pode causar depressão, caracterizada por apatia, perda de apetite, medo excessivo e queda da imunidade
  • A companhia de outro porquinho-da-índia estimula comportamentos naturais, reduz o estresse e melhora a qualidade de vida
  • Introduções devem ser feitas de forma gradual, em ambiente neutro e sob observação, para evitar brigas
  • A convivência aumenta a expectativa de vida, segundo guias de bem-estar animal e observações clínicas
  • A interação com humanos não substitui a convivência com outro da mesma espécie. Por mais cuidadoso que seja o tutor, ele não reproduz a comunicação, os vínculos e a segurança que um companheiro de espécie oferece.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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