Senado aprova regras para guarda de pet em caso de separação de casal; saiba o que muda

Avanço da proposta reflete uma transformação cultural: animais de estimação passaram a ocupar lugar afetivo nas famílias

Também poderá haver fiscalização do exercício da posse e definição sobre reprodução ou venda do animal, sempre considerando as necessidades específicas do pet

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou, em dezembro de 2025, um projeto que estabelece regras para a guarda de animais de estimação quando casais se separam, tema cada vez mais presente no Judiciário brasileiro. A proposta (PL 62/2019) segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça.

Pelo texto, quando não houver acordo entre os ex-cônjuges, o juiz poderá definir direitos e obrigações de cada tutor em relação ao animal, incluindo condições de moradia, cuidados diários, divisão de despesas, como consultas veterinárias e medicamentos, e regras de visitação.

Também poderá haver fiscalização do exercício da posse e definição sobre reprodução ou venda do animal, sempre considerando as necessidades específicas do pet.

Caso o acordo seja descumprido, o projeto prevê perda da guarda para a outra parte ou até o encaminhamento do animal a abrigo, medida que reforça a responsabilização dos tutores.

O relator da proposta, senador Wellington Fagundes (PL-MT), argumenta que a legislação atual ainda trata animais como bens materiais, o que gera decisões que ignoram o bem-estar. Segundo ele, essa é uma “visão ultrapassada” que desconsidera o sofrimento dos pets diante de conflitos familiares.

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O que pode mudar na prática para tutores e animais

Se aprovado em definitivo, o projeto cria parâmetros jurídicos claros para disputas envolvendo animais de estimação após separações. Entre os principais pontos:

  • possibilidade de o juiz definir guarda, visitas e responsabilidades financeiras;
  • obrigação de estabelecer condições adequadas de moradia e cuidados ao animal;
  • previsão de perda da guarda ou envio a abrigo em caso de descumprimento;
  • avanço no reconhecimento do bem-estar animal como critério jurídico nas decisões.

Debates legislativos anteriores já apontavam nessa direção, ao prever que a convivência, o ambiente adequado e a divisão de despesas devem orientar decisões sobre guarda de pets em separações, inclusive com possibilidade de guarda compartilhada quando houver acordo.

Tendência jurídica acompanha mudança social

O avanço da proposta reflete uma transformação cultural: animais de estimação passaram a ocupar lugar afetivo nas famílias e a criação deles exige soluções legais que considerem vínculo emocional e bem-estar, e não apenas propriedade. É por isso que a regulamentação da guarda busca reduzir conflitos judiciais e proteger os próprios animais durante processos de separação. Se aprovado nas próximas etapas do Congresso, o projeto poderá consolidar no Brasil uma abordagem mais alinhada ao conceito de família multiespécie.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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