Cone ou roupa cirúrgica para cães? Saiba qual é a melhor opção para o pós-operatório

A escolha do acessório que fará essa barreira física não é apenas estética, mas uma decisão clínica que deve considerar o temperamento do animal e o local da incisão

O colar elizabetano, popularmente conhecido como cone, é considerado a opção mais completa por impedir que o cão alcance qualquer parte do corpo com a boca, além de proteger a face e os olhos

O período pós-operatório de cães, seja após uma castração de rotina ou procedimentos ortopédicos mais complexos, costuma ser delicado para os pets e para os tutores. O maior desafio é impedir que o animal lamba ou morda os pontos, o que pode causar inflamações, infecções e até a abertura da ferida cirúrgica.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a escolha do acessório que fará essa barreira física não é apenas estética, mas uma decisão clínica que deve considerar o temperamento do animal e o local da incisão. O manejo adequado da barreira física é importante para garantir a cicatrização e evitar a necessidade de novas intervenções, orientam as diretrizes de bem-estar animal do órgão.

O colar elizabetano, popularmente conhecido como cone, é considerado a opção mais completa por impedir que o cão alcance qualquer parte do corpo com a boca, além de proteger a face e os olhos.

Segundo o manual de cuidados do Hospital Veterinário da USP, o cone serve para limitar o campo de visão e o alcance bucal, sendo a barreira de segurança mais indicada para cirurgias oftalmológicas, por exemplo.

Leia também

Por outro lado, a roupa cirúrgica oferece mais conforto e mobilidade e é mais recomendada para procedimentos abdominais, como a castração de fêmeas. Ela mantém a ferida protegida do contato direto com o ambiente, mas exige atenção redobrada quanto à umidade.

Um ponto crítico apontado por veterinários é a higienização. Enquanto o cone plástico é facilmente limpo com álcool 70%, a roupa precisa ser trocada ou lavada sempre que estiver úmida, seja por urina ou saliva, para evitar a proliferação de fungos na cicatriz. Em animais muito agitados, especialistas podem recomendar o uso combinado dos dois acessórios para garantir uma camada dupla de proteção.

Independentemente da escolha, o monitoramento deve ser constante. Em caso de vermelhidão intensa ou secreções na ferida, o tutor deve buscar assistência profissional o quanto antes.

A Itatiaia resumiu os pontos principais para escolher o cone ou a roupa cirúrgica, embora a palavra final deva ser sempre do especialista:

  • Cone (Colar): proteção total do corpo, face e olhos; fácil de higienizar, mas pode causar desorientação.
  • Roupa cirúrgica: mais confortável para o tronco e abdômen; reduz o estresse, mas exige trocas frequentes para evitar umidade.
  • Indicação por sexo: roupas costumam ser mais eficazes para fêmeas; para machos, o cone evita que a peça seja molhada pela urina.
  • Segurança: o acessório nunca deve ser retirado antes da liberação veterinária para evitar o risco de evisceração.
  • Higiene: feridas úmidas sob a roupa são portas de entrada para bactérias; mantenha o local sempre seco.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

Ouvindo...