Saiba como evitar que o gato entre em pânico ao ver caixa de transporte

Para um animal territorialista como o gato, ser retirado à força de seu ambiente seguro e confinado em um objeto plástico desconhecido leva a uma perda drástica de controle

Na maioria das vezes, a caixa só aparece para eventos negativos, o que cria uma associação imediata com o medo

A dificuldade de colocar o gato na caixa de transporte é um desafio que muitos tutores de pet têm em comum. E é também uma das queixas mais ouvidas em consultórios veterinários. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o estresse do transporte é um dos principais motivos pelos quais os tutores adiam consultas preventivas, o que compromete a saúde dos felinos a longo prazo.

Para um animal territorialista como o gato, ser retirado à força de seu ambiente seguro e confinado em um objeto plástico gera uma perda drástica de controle. “O pet não entende a finalidade da viagem; ele entende a quebra da rotina e a invasão de seu espaço”, explica manual técnico da International Society of Feline Medicine (ISFM). Na maioria das vezes, a caixa só aparece para eventos negativos, o que cria uma associação imediata com o medo.

A Itatiaia listou dicas de como adaptar o gato à caixa e garantir uma viagem tranquila:

  • O guia da The Feline Veterinary Medical Association (FelineVMA), em português Associação de Medicina Veterinária Felina, recomenda transformar a caixa em um “móvel da casa”. Deixe-a sempre aberta na sala, por exemplo, com uma manta que tenha o cheiro do pet. A caixa deve ser vista pelo gato como uma toca segura, não como uma armadilha que surge apenas para levá-lo ao veterinário, orientam especialistas em comportamento felino.
  • Use petiscos de alto valor ou brinquedos com catnip dentro da caixa. Segundo manuais da Fiocruz sobre bem-estar animal, o reforço positivo ajuda a substituir a resposta de medo pela expectativa de uma recompensa prazerosa.
  • Uso de feromônios sintéticos: o uso de análogos sintéticos de feromônios faciais felinos (como o Feliway) é uma ferramenta verificável com eficácia comprovada. Borrifar o produto na manta 15 minutos antes da viagem ajuda a transmitir uma mensagem química de “ambiente seguro” para o cérebro do animal.
  • Durante o transporte, cubra a caixa com um lençol ou toalha. A redução dos estímulos visuais externos, como o movimento de carros e luzes, ajuda a acalmar o sistema nervoso do felino e simula a proteção de uma “toca” escura.
  • Escolha caixas rígidas, bem ventiladas e com abertura por cima. Isso permite que o veterinário examine o gato sem retirá-lo à força, minimizando o estresse dentro do consultório.
  • No carro, a caixa deve estar sempre presa pelo cinto de segurança. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o transporte de animais soltos ou no colo é infração média e gera risco de acidentes graves em caso de frenagem.
  • Se o gato mostrar respiração ofegante com a boca aberta, salivação excessiva ou urinar de medo, o tutor deve buscar auxílio médico para protocolos de sedação leve. O estresse extremo pode desencadear crises em gatos com cardiopatias silenciosas, alertam manuais de medicina felina.
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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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