Muito comuns em pet shops, as gaiolas compactas cheias de tubos e andares parecem divertidas, mas especialistas alertam que elas raramente atendem às necessidades reais de
Pesquisas brasileiras sobre criação de hamsters mostram que a domesticação já reduz drasticamente o
“Em cativeiro os animais recebem água e alimentação, não necessitando dispor de tempo e gasto de energia em busca desses suprimentos, assim estes animais apresentam maior período de ócio e estão mais propensos à obesidade e tédio”, explica a publicação.
Por isso, o enriquecimento ambiental deve ser suficiente para evitar a monotonia e estereotipias e propiciar ao animais a maior diversificação possível do comportamento natural da espécie.
Normas técnicas adotadas no país também reforçam a importância do espaço. Recomendações baseadas em resolução do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) indicam áreas mínimas de recinto por animal, variando conforme espécie e peso, por exemplo, hamsters podem exigir mais de 120 centímetros quadrados e cobaias acima de centímetros quadrados, sempre com altura suficiente para desenvolvimento adequado.
Embora esses valores sejam referências mínimas de biotério, especialistas destacam que,
Esse contraste aparece claramente no mercado. Há gaiolas comerciais com pouco mais de 35 centímetros por 25 centímetros de base, vendidas como suficientes para hamsters, enquanto modelos maiores chegam a cerca de um metro por 50 centímetros, dimensão mais próxima de recomendações de bem-estar.
Espaço horizontal e enriquecimento definem qualidade de vida
Ainda de acordo com o estudo publicado na Pubvet, o fator central da gaiola é a área útil de piso e a profundidade do substrato, que deve permitir escavação, comportamento básico
A lógica é simples: quanto mais o ambiente permite comportamentos naturais, menor o impacto negativo do cativeiro.
A Itatiaia resumiu as orientações mais citadas por especialistas em bem-estar de pequenos mamíferos. Confira:
- priorizar grande área de base contínua, e não múltiplos andares;
- garantir substrato profundo para escavação e construção de ninhos;
- oferecer esconderijos, objetos de exploração e enriquecimento ambiental;
- evitar recintos muito pequenos, associados a limitação comportamental e estresse crônico;
- usar alternativas amplas e acessíveis, como caixas organizadoras adaptadas (chamadas também de “bin cages”), que ampliam o espaço útil com baixo custo.