Projeto em BH quer criar acolhimento temporário para pets desamparados

A aposta do projeto é que o acolhimento temporário estruturado, aliado à adoção assistida, reduza o tempo de permanência desses animais em situação de risco

Programa permitirá ao município “formalizar a situação de desamparo dos animais”

Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Belo Horizonte (MG) pretende estruturar uma nova política pública para animais em situação de vulnerabilidade. A proposta cria o Programa Lar Legal, voltado ao acolhimento temporário e à adoção assistida de cães e gatos que perderam seus tutores por morte, abandono ou incapacidade.

O PL 590/2025, de autoria do vereador Osvaldo Lopes (Republicanos), recebeu hoje (23) parecer favorável da Comissão de Meio Ambiente e segue em tramitação em primeiro turno. O objetivo é oferecer uma resposta institucional para casos em que o animal fica desamparado por circunstâncias ligadas ao tutor, como ausência prolongada ou falecimento.

Segundo o próprio autor, o programa permitirá ao município “formalizar a situação de desamparo dos animais”, além de credenciar famílias e instituições para acolhimento temporário e acompanhar os processos de adoção.

Rede voluntária será base do atendimento

Um dos pontos centrais do projeto é que ele não prevê a criação de novos abrigos públicos. Em vez disso, a proposta aposta em parcerias e na articulação de estruturas já existentes.

De acordo com a Câmara de BH, o programa deverá funcionar por meio de “parcerias, de cooperação técnica e de redes de acolhimento voluntário já existentes no Município”, buscando reduzir custos permanentes.

O texto também prevê a criação de um Cadastro Municipal de Pets Desamparados e Famílias Acolhedoras, ferramenta que permitirá identificar os animais atendidos e monitorar sua situação até a adoção definitiva.

Leia também

Proposta mira redução do abandono

Para o relator da matéria, vereador Wanderley Porto (PRD), o modelo pode ter impacto direto na proteção animal. Segundo ele, a iniciativa “reduz a permanência dos animais em condição de vulnerabilidade e promove a guarda responsável”, ajudando a romper ciclos de abandono.

O projeto também inclui ações educativas voltadas à posse responsável e à prevenção do abandono, estratégia considerada essencial por especialistas em políticas públicas de bem-estar animal.

Com pareceres favoráveis das comissões de Legislação e Justiça e de Meio Ambiente, a proposta ainda passará pela Comissão de Administração Pública antes de ir ao plenário. Para avançar, precisará do voto da maioria dos vereadores presentes em dois turnos.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

Ouvindo...