Produtos de limpeza podem provocar dermatite de contato em cães sensíveis; entenda

Especialistas recomendam enxaguar bem o piso após a limpeza, evitar fragrâncias fortes, manter o ambiente ventilado e utilizar produtos adequados para casas com pets

Identificar os gatilhos dentro de casa, principalmente na rotina de limpeza, é o básico para evitar dor, infecções e recorrência das lesões

Em qualquer casa ou apartamento há o cantinho dos desinfetantes perfumados, sabões e limpadores multiuso, pois eles fazem parte da rotina doméstica. Mas esses produtos podem estar por trás de coceiras persistentes, vermelhidão e feridas na pele dos cães. A dermatite de contato, inflamação causada pelo contato direto com substâncias irritantes como a dos produtos de limpeza domésticos, é uma reação cutânea comum na clínica veterinária.

A dermatite de contato é uma “resposta inflamatória na pele decorrente da exposição a substâncias agressoras”, incluindo sabonetes, detergentes, desinfetantes e perfumes, segundo a plataforma veterinária Petlove. Essa resposta provoca coceira, vermelhidão e queda de pelos, podendo evoluir para infecções secundárias quando não tratada.

A intensidade da reação varia conforme a sensibilidade do animal e o tempo de exposição aos produtos.

Embora qualquer cão possa desenvolver problemas de pele, algumas raças têm maior sensibilidade devido a características genéticas, dobras na pele ou sistema imunológico reativo. Entre algumas raças sensíveis estão o Shih-tzu, Lhasa apso, Bulldogs, Golden, Labrador retriever , Yorkshire e Cocker, listou a plataforma internacional PetMD.

O problema costuma surgir quando o pet caminha em pisos recém-lavados ou se deita em superfícies com resíduos químicos. Muitos produtos domésticos contêm compostos corrosivos ou com pH diferente da pele dos animais, o que pode desencadear dermatite irritativa. A médica-veterinária Mariana Caetano Pimentel afirma que é comum observar “prurido, pele inflamada, pápulas e crostas” nesses casos.

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Entre os agentes mais associados ao problema estão água sanitária concentrada, desinfetantes perfumados, sabão em pó e limpadores multiuso, explica a especialista. Esses produtos podem causar desde irritação leve até lesões mais profundas, especialmente em cães com pele sensível ou predisposição alérgica.

Casos reais reforçam o alerta. Reportagem do Campo Grande News mostrou que um cão desenvolveu dermatite após contato com produtos de limpeza domésticos; segundo o veterinário Rafael Rodrigues, ouvido na reportagem, “o principal sintoma é a coceira”, que pode ser intensa a ponto de afetar o comportamento do animal.

Sinais de que produtos da casa podem estar afetando o pet

Veterinários recomendam atenção especial quando surgem sintomas logo após a limpeza do ambiente ou contato com superfícies recém-lavadas. A Itatiaia destacou os sinais mais comuns incluem:

  • coceira intensa ou lambedura constante das patas e barriga;
  • vermelhidão, inchaço ou descamação da pele;
  • queda localizada de pelos;
  • feridas, crostas ou mau cheiro na pele;
  • inquietação ou mudança de comportamento após contato com o chão.

Esses sinais aparecem principalmente nas áreas com menos pelos e maior contato com o piso, como patas, abdômen e focinho.

Prevenção começa na rotina de limpeza

Especialistas concordam que a medida mais eficaz é reduzir a exposição. O próprio Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) orienta que, diante de quadros alérgicos, é importante observar o ambiente e afastar possíveis agentes desencadeantes, que podem incluir produtos de limpeza e perfumes.

A entidade orienta a enxaguar bem o piso após a limpeza, evitar fragrâncias fortes, manter o ambiente ventilado e utilizar produtos adequados para casas com pets. Em animais já sensíveis, a avaliação veterinária é sempre recomendada para confirmar o diagnóstico e indicar tratamento certo para o cão.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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