Coelhos criados sozinhos podem desenvolver quadros de estresse e apatia

Enriquecimento ambiental e contato social são as bases para reduzir estresse em lagomorfos mantidos em cativeiro

Os materiais técnicos destacam que a privação de estímulos, incluindo interação com outros animais, impacta diretamente o bem-estar

Diferentemente do que muitos tutores ainda acreditam, coelhos não se sentem bem vivendo sozinhos. Esses animais são gregários por natureza, ou seja, evoluíram para viver em grupo, com interação constante. Quando são mantidos isolados por muito tempo, podem desenvolver quadros de estresse, apatia e alterações comportamentais associadas à chamada depressão em coelhos.

O Manual de Responsabilidade Técnica em Biotérios, do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) descreve, em materiais educativos sobre bem-estar de pequenos mamíferos, que o ambiente deve permitir a expressão do comportamento natural da espécie. Segundo a entidade, o bem-estar animal depende de condições que garantam “conforto físico e mental, possibilitando a manifestação de comportamentos próprios da espécie”. Esse princípio inclui a necessidade de interação social para esse tipo de pet.

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Isolamento pode gerar estresse e alterações de comportamento

Na prática clínica, os efeitos da solidão são observados com frequência. Em entrevista publicada pelo portal brasileiro Perito Animal, a médica-veterinária especialista em animais silvestres Aline Gouveia explica que coelhos isolados podem apresentar “apatia, menor atividade e até comportamentos repetitivos relacionados ao estresse”.

Diretrizes de manejo divulgadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) também apontam que o enriquecimento ambiental e o contato social são fatores importantes para reduzir estresse em lagomorfos mantidos em cativeiro. Os materiais técnicos destacam que a privação de estímulos, incluindo interação com outros animais, impacta diretamente o bem-estar.

Em países que avançaram nessa discussão, a necessidade social do coelho já entrou na legislação. A Lei de Proteção Animal da Suíça, por exemplo, passou a exigir que animais gregários, como coelhos, não sejam mantidos sozinhos, salvo justificativa técnica, medida frequentemente citada por especialistas como referência internacional de bem-estar.

Como introduzir um novo coelho com segurança

Oferecer a companhia de um novo coelho exige uma aproximação planejada. A Itatiaia listou algumas medidas descritas em materiais educativos de manejo de coelhos divulgados por instituições veterinárias e universidades brasileiras. Confira:

  • fazer a castração antes da aproximação, para reduzir disputas hormonais;
  • promover adaptação gradual com separação inicial, para permitir que eles se reconheçam pelo cheiro;
  • fazer encontros supervisionados em território neutro;
  • observar sinais de estresse ou agressividade;
  • garantir espaço amplo e enriquecido, para evitar a competição por recursos.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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