Conviver com gato faz bem para a saúde mental, aponta ciência

Estudos de Harvard e outras universidades internacionais mostram que gatos ajudam a reduzir ansiedade, estresse e solidão

Especialistas reforçam um consenso que vem ganhando cada vez mais respaldo científico: viver com um gato pode trazer benefícios reais para a saúde mental.

E não se trata apenas de companhia: pesquisas indicam impactos diretos na redução da ansiedade, do estresse e até na melhora do bem-estar emocional.

Ciência confirma impacto positivo dos gatos

Segundo a Associação Psiquiátrica Americana, 84% das pessoas que têm gato reconhecem efeitos positivos na própria saúde mental. Já 62% afirmam perceber diminuição da ansiedade graças à presença tranquila do animal em casa.

A Associação Americana de Medicina Veterinária também destaca que os felinos oferecem apoio emocional, especialmente em momentos de dificuldade. Diferentemente de outros animais, os gatos costumam demonstrar afeto sem exigir atenção constante, característica valorizada por quem vive sob pressão emocional.

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De acordo com a pesquisadora Laura Elin Pigott, professora de Neurociência da Universidade South Bank de Londres, o simples ato de acariciar um gato estimula a liberação de ocitocina, conhecida como hormônio do afeto. A substância é liberada tanto no humano quanto no animal, fortalecendo o vínculo emocional. No entanto, o contato deve respeitar o conforto do gato para que o efeito seja positivo.

Outro fator importante é o ronronar. Segundo o Rutherford Veterinary Hospital, as vibrações emitidas pelos gatos, entre 25 e 150 Hertz, contribuem para o relaxamento e podem ajudar a reduzir a pressão arterial e a frequência cardíaca. Esse fenômeno também estimula a produção de endorfinas e serotonina, substâncias ligadas à sensação de bem-estar.

Benefícios para idosos e saúde cognitiva

Pesquisas conduzidas pela Universidade de Genebra, em parceria com a Health Harvard Publishing, acompanharam mais de 16 mil adultos com 50 anos ou mais ao longo de 18 anos. Os resultados indicaram que tutores de gatos apresentaram declínio mais lento na fluência verbal, habilidade essencial para a comunicação diária.

Segundo a pesquisadora Adriana Rostekova, os gatos podem funcionar como parte da rede de apoio social dos tutores, ajudando a manter estímulos emocionais e cognitivos.

Estudos publicados pela Elsevier também apontam vantagens físicas e sociais. A convivência precoce com gatos pode reduzir o risco de alergias em crianças. Além disso, análises da Universidade Harvard associam a presença de felinos à redução da pressão arterial e a menor risco de doenças cardíacas.

A rotina de cuidados, como alimentar e limpar a caixa de areia, também contribui para criar senso de propósito, algo especialmente importante na terceira idade.

Apoio emocional em momentos de crise

Em situações de solidão ou dificuldades emocionais, os gatos podem se tornar um suporte silencioso, mas significativo. Dados da Associação Americana de Psicologia mostram que 70% das pessoas que atravessam momentos difíceis relatam melhora no bem-estar ao interagir com seus gatos.

Pesquisas da Universidade Brenau, nos Estados Unidos, indicam que adotar um gato pode reduzir a sensação de isolamento em adultos mais velhos. Diferentemente de terapias estruturadas, o apoio do animal acontece de forma espontânea, apenas com a convivência diária.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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