É comum associar os gatos ao consumo de peixe, por se tratar de uma imagem reforçada por desenhos animados e hábitos populares. Mas será que esse alimento é realmente adequado para o organismo dos felinos?
A resposta é: depende da forma como é oferecido. Embora o peixe possa fazer parte da alimentação, é preciso atenção à forma de preparo, à frequência e aos riscos nutricionais.
Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), gatos são animais carnívoros estritos e precisam de proteína de origem animal para manter uma boa saúde.
O peixe, por ser fonte de proteína e ômega 3, pode oferecer benefícios, mas não deve ser servido cru nem como base da dieta diária.
“A alimentação natural precisa ser orientada por um profissional capacitado. O desequilíbrio nutricional pode causar deficiências graves”, alerta o CFMV em publicação sobre dietas caseiras.
Os riscos do peixe cru
O principal alerta é quanto ao consumo de peixe cru, prática comum entre tutores que desejam oferecer alimentos mais naturais.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a carne de peixe crua pode conter parasitas, como o Anisakis simplex, além de bactérias como Salmonella e Listeria, que representam riscos à saúde dos pets.
Além disso, o peixe cru contém uma enzima chamada tiaminase, que destrói a vitamina B1 (tiamina), essencial para o funcionamento do sistema nervoso do gato.
A deficiência dessa vitamina pode causar sintomas neurológicos, convulsões e até a morte.
“A carência de tiamina em gatos pode se manifestar em poucos dias de uma dieta inadequada. Por isso, não se deve alimentar o animal com peixe cru ou não supervisionado por nutricionista veterinário”, explica o manual de nutrição do Colégio Americano de Nutrição Veterinária (ACVN).
O peixe cozido, sem sal, temperos ou espinhas, pode ser oferecido esporadicamente como petisco, mas não substitui uma alimentação completa e balanceada.
O que observar ao dar peixe ao gato
- Nunca ofereça peixe cru, defumado ou enlatado com conservantes e sal;
- Retire todas as espinhas, pois podem causar engasgos ou perfurações;
- Cozinhe o peixe apenas em água, sem temperos, óleo ou cebola;
- Sirva em pequenas porções, como agrado ocasional, e não como base alimentar;
- Observe possíveis reações alérgicas ou desconfortos gastrointestinais após o consumo;
- Consulte um médico-veterinário antes de inserir qualquer novo alimento na dieta do animal.
Especialistas recomendam que qualquer introdução alimentar seja feita com cautela, principalmente em animais com histórico de doenças digestivas ou renais.
Segundo o guia alimentar da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA), alimentos caseiros ou naturais devem ser formulados individualmente para cada animal, considerando idade, porte, estado de saúde e nível de atividade física.