A chinchila é fofa, e à primeira vista pode parecer um pet de pouca manutenção, temperamento dócil, ótima para apartamentos. Mas ela representa, também, um compromisso de longo prazo que exige conhecimento específico e responsabilidade por parte do tutor, pois sua expectativa de vida pode chegar a 20 anos.
Antes de decidir pela adoção de uma chinchila, é fundamental entender a legislação, as necessidades de manejo e a biologia desse roedor oriundo da Cordilheira dos Andes, no Chile.
Para a legislação brasileira, a chinchila é considerada um animal doméstico ou de estimação, segundo normas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Isso significa que ela pode ser criada e comercializada no país sem a necessidade de autorização especial, ao contrário de animais silvestres ou exóticos não domesticados. No entanto, é importante adquirir o animal apenas de criadores devidamente registrados e com boa reputação.
A chinchila é, hoje, uma espécie considerada extinta na natureza devido à caça e à destruição do habitat, sendo todos os indivíduos comercializados no mundo provenientes de cativeiro. A aquisição responsável garante a saúde e a procedência legal do seu futuro pet.
O principal desafio da chinchila no Brasil: a temperatura
O principal ponto de atenção para tutores de chinchilas no Brasil é a sensibilidade extrema delas ao calor. Devido à sua origem em regiões de clima frio, e por possuírem a pelagem mais densa entre todos os roedores, elas são altamente suscetíveis ao estresse térmico e à hipertermia, que pode ser fatal.
Veterinários especializados em animais exóticos alertam que a temperatura ideal para a chinchila varia entre 18°C e 25°C, não devendo ultrapassar 28°C. Em muitas regiões do Brasil, isso implica a necessidade de manter o animal em um ambiente climatizado com ar-condicionado durante os meses mais quentes, o que aumenta o custo de manutenção.
A melhor fonte de informação confiável sobre chinchilas no Brasil é a consulta a médicos-veterinários especializados em animais silvestres ou exóticos, que atuam em instituições de ensino ou clínicas de referência.
Além disso, criadores sérios e associações ligadas à medicina veterinária de pets não convencionais (como algumas regionais do CRMV-SP, por exemplo) e empresas de nutrição animal, que disponibilizam conteúdo técnico, são boas referências para o manejo e bem-estar das chinchilas.
A decisão de ter uma chinchila requer um planejamento que abranja aspectos de biologia, comportamento, manejo e saúde. Por isso, a Itatiaia listou os principais pontos de atenção, confira:
Hábito Diário:
São mais ativas e barulhentas à noite. Devem ser mantidas em um local tranquilo e silencioso durante o dia.
Longevidade:
Compromisso de longo prazo, pois podem viver de 10 a 20 anos em cativeiro com o manejo adequado.
Habitat e exercício:
Gaiola vertical e espaçosa é o ideal. Por serem escaladoras e saltadoras, precisam de uma gaiola alta, com vários andares, prateleiras e poleiros para estimular o comportamento natural e o exercício.
Alimentação:
A dieta deve ser à base de ração extrusada (específica para chinchilas) e grande quantidade de feno de qualidade (fácil acesso e constante). O feno é importantíssimo para o desgaste dos dentes e para a saúde intestinal.
Desgaste Dental:
Para dentes de crescimento contínuo, é vital fornecer blocos de roer e feno em abundância. O crescimento excessivo pode causar má-oclusão, dor e anorexia, exigindo acompanhamento veterinário.
Higiene (banho):
Proibido banho com água. O banho é feito a seco, com pó de banho (areia mineral) oferecido em uma banheira.
Saúde Veterinária:
É indispensável ter acesso a um médico-veterinário especialista em animais exóticos ou pets não convencionais, para check-ups anuais e tratamento de problemas específicos.
Socialização:
Podem ser tímidas, mas sociáveis. A interação deve ser gentil e baseada em recompensas, pois elas precisam de tempo para criar vínculos.