O perigo pode estar nas patinhas: entenda o que é a pododermatite em cães e gatos

Quando não tratado, o quadro pode evoluir de uma simples vermelhidão para feridas profundas, infecções bacterianas e até dificuldade de locomoção

Além das causas alérgicas, o problema pode ser desencadeado por fatores ambientais, como o contato com produtos de limpeza irritantes, gramados úmidos ou pisos muito quentes

Muitos tutores, quando vêem aquele hábito do pet de lamber as patas, pensam ser apenas um comportamento de higiene ou tédio. Mas na verdade, a lambedura persistente é o principal sinal de alerta para a pododermatite interdigital, uma inflamação que atinge a pele entre os “dedos” e as almofadas plantares, chamadas de coxins. Quando não tratado, o quadro pode evoluir de uma simples vermelhidão para feridas profundas, infecções bacterianas e até dificuldade de locomoção.

O surgimento da pododermatite está frequentemente ligado a um ciclo de irritação e resposta. De acordo com especialistas em dermatologia veterinária, a umidade constante causada pela saliva altera o pH da pele, favorecendo a proliferação de fungos e bactérias.

“A lambedura excessiva geralmente é o sintoma de algo maior, como alergias alimentares, dermatite atópica ou até ansiedade. O animal lambe para aliviar o desconforto, mas acaba gerando uma lesão ainda maior”, explicam os profissionais da plataforma PetDerma, especializados em dermatologia veterinária.

Causas, diagnósticos e o risco da umidade nas patas

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), a pododermatite é considerada uma condição multifatorial. Além das causas alérgicas, o problema pode ser desencadeado por fatores ambientais, como o contato com produtos de limpeza irritantes, gramados úmidos ou pisos muito quentes.

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Manuais técnicos da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP) reforçam que animais de pelagem longa ou com dobras excessivas nas patas, como Bulldogs e Pugs, têm maior predisposição ao acúmulo de detritos e umidade entre os dedos, o que pode agravar o quadro inflamatório.

O diagnóstico preciso é importantíssimo, pois o tratamento varia muito conforme a causa. Segundo o Guia de Vigilância em Saúde Animal, o uso de medicações por conta própria, como pomadas humanas, pode mascarar infecções por leveduras (como a Malassezia) ou sarnas localizadas.

Além do tratamento medicamentoso, que pode incluir antibióticos ou antifúngicos, a medicina veterinária moderna foca no controle ambiental: deixar as patas do pet sempre secas após passeios e usar sapatinhos protetores em superfícies ásperas.

A Itatiaia resumiu os principais pontos de atenção para os tutores:

  • Sinal de alerta: Lambedura constante, vermelhidão entre os dedos, inchaço e escurecimento dos pelos nas patas. A saliva mantém a região úmida e cria o ambiente perfeito para a proliferação de fungos e bactérias.
  • As causas comuns são alergias alimentares ou de contato, estresse e ansiedade, picadas de ectoparasitas, como pulgas e carrapatos ou perfurações por espinhos ou cacos de vidro.
  • Seque sempre as patas do pet após o banho ou passeios na chuva; evite o uso de produtos de limpeza fortes em locais onde o animal circula.
  • Nunca use pomadas sem prescrição; o veterinário precisa fazer exames de citologia para identificar se a causa é fúngica, bacteriana ou alérgica para conduzir o tratamento ideal para o pet.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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