Item obrigatório: entenda a importância dos arranhadores para a saúde dos gatos

Se o tutor não oferece o local adequado para arranhar, o pet buscará as superfícies que tenham a resistência necessária, como o estofado de cadeiras e sofás

O ato de arranhar é uma necessidade fisiológica e comportamental inegociável e uma forma de comunicação complexa

Para muitos tutores, o arranhador é visto apenas como um acessório opcional ou um item para evitar danos aos sofás e cadeiras estofadas da casa. No entanto, para a medicina felina, o ato de arranhar é uma necessidade fisiológica e comportamental inegociável e uma forma de comunicação complexa.

“Ao depositar feromônios das glândulas interdigitais no objeto, o gato sinaliza sua presença e se sente mais seguro no ambiente”, diz a médica veterinária especialista em comportamento felino, Laila Massad Ribas, referência na área no Brasil.

“O gato não arranha para afiar as unhas, mas para remover a camada velha da unha e, principalmente, para marcar território de forma visual e olfativa. É uma necessidade fisiológica”, explica a especialista. “A falta de estímulos adequados, como locais para arranhar e escalar, compromete a saúde mental e física do felino”.

O ambiente deve ser planejado para permitir que o animal manifeste comportamentos naturais. A ausência do recurso do arranhar, gera um ambiente de estresse e frustração, e se o tutor não oferece o local adequado, o animal buscará as superfícies que tenham a resistência necessária, como o estofado de cadeiras e sofás.

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Tipos de materiais e a estratégia para a adaptação

A eficácia do arranhador depende muito da escolha do material e do posicionamento dele na casa.

Os modelos de sisal e papelão são os mais indicados por simularem texturas encontradas na natureza, como cascas de árvores.

Para acostumar o gato ao novo item, o local escolhido é tão importante quanto o material. Especialistas da Sociedade Brasileira de Etologia (SBEt) sugerem que os arranhadores sejam colocados em áreas de “passagem” ou perto de onde o gato dorme, já que o alongamento ao acordar é um gatilho para o comportamento de arranhar.

A recomendação técnica é nunca forçar a pata do animal contra o objeto, o que pode gerar medo, mas sim utilizar atrativos como o catnip, a erva do gato, para incentivar a exploração voluntária do acessório.

Para quem anda pensando em ser um tutor de gatos, ou está no início dessa jornada, a Itatiaia destaca os pontos principais de atenção:

  • O arranhador é um item obrigatório: arranhar é vital para a manutenção das unhas, alongamento muscular e marcação territorial olfativa.
  • O sisal é ideal para postes verticais por sua durabilidade; o papelão agrada pela textura, mas exige trocas por desgaste.
  • Evite “esconder” o arranhador. Ele deve ficar em locais onde a família circula ou próximo aos locais de soneca do pet.
  • O arranhador deve ser firme e alto o suficiente para que o gato consiga esticar todo o corpo sem que o objeto balance.
  • Use o reforço positivo com petiscos e carinho sempre que o gato utilizar o item correto, e nunca faça o pet passar por punições físicas.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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