As recentes enchentes que atingiram o estado do Texas, nos Estados Unidos, deixaram um rastro de destruição, mas também evidenciaram atos de coragem, muitos deles protagonizados por cães.
Em meio ao caos, cachorros treinados desempenharam um papel crucial no resgate de moradores ilhados, ao guiar equipes de salvamento, alertar sobre riscos e até conduzir famílias para áreas seguras.
De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS), o impacto foi comparável ao do furacão Harvey, que devastou o estado em 2017.
“Foi uma das piores enchentes dos últimos anos, e o apoio de cães treinados foi essencial para localizar pessoas em áreas de difícil acesso”, afirmou o Departamento de Segurança Pública do Texas, em nota oficial.
Animais treinados são aliados em emergências
Em operações conduzidas pela Guarda Nacional e por ONGs locais, cães farejadores especializados em busca e salvamento foram acionados para localizar vítimas presas em casas inundadas ou em áreas de mata próximas aos rios transbordados.
Algumas famílias também relataram que seus próprios cães domésticos foram fundamentais para escapar da tragédia ao alertar sobre o aumento das águas antes que os alarmes oficiais fossem emitidos.
“Os cães têm capacidade olfativa e auditiva extremamente sensíveis, o que os torna essenciais em resgates. Eles conseguem detectar pessoas vivas mesmo sob escombros ou água rasa”, explicou o Federal Emergency Management Agency (Fema), em guia técnico sobre uso de animais em desastres.
Nos casos relatados no Texas, os animais percorreram locais alagados junto a socorristas, guiando equipes até pontos com sinais de vida.
Em ao menos três situações documentadas por autoridades locais, famílias foram resgatadas com o auxílio direto dos cães.
Trabalho envolve treinamento e vínculo
Os cães de resgate não atuam sozinhos. Cada um deles é acompanhado por um condutor treinado, com quem mantêm uma forte ligação.
Segundo a organização Search Dog Foundation, que treina cães para situações de desastre nos Estados Unidos, o sucesso do trabalho depende tanto da habilidade do animal quanto do entrosamento com o tutor.
Entre os requisitos para seleção estão inteligência, agilidade, resistência e facilidade de socialização.
Após cerca de um ano de treinamento, os cães são aptos a atuar em ambientes de colapso, enchentes e deslizamentos, e são frequentemente enviados a zonas de risco.
Para além das equipes oficiais, muitas comunidades afetadas contaram com a intuição e lealdade dos próprios cães de estimação.
Segundo o American Kennel Club (AKC), é comum que cães domésticos consigam perceber variações ambientais, como barulho de correnteza ou instabilidade no solo, antes mesmo de sinais visíveis de perigo.