A heterocromia, condição em que um gato apresenta olhos de cores distintas, é considerada rara e chama atenção de tutores e admiradores de felinos.
Apesar de, na maioria dos casos, ser apenas uma característica genética sem impactos diretos na saúde, especialistas alertam que a condição também pode estar associada a doenças que exigem acompanhamento veterinário.
Segundo a American Veterinary Medical Association (AVMA), sediada nos Estados Unidos, a heterocromia pode se manifestar de duas formas: presente desde o nascimento, por fatores hereditários, ou adquirida ao longo da vida, quando passa a ser sintoma de alterações oculares.
“É importante diferenciar a heterocromia congênita, geralmente inofensiva, daquela adquirida, que pode estar relacionada a processos inflamatórios ou até tumores”, destacou a entidade em nota informativa.
Quando os olhos merecem atenção
Muitos gatos com heterocromia vivem normalmente, mas a condição não deve ser negligenciada. O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) alerta que mudanças repentinas na coloração dos olhos podem ser sinal de problemas como glaucoma, uveíte ou lesões na córnea.
A heterocromia congênita costuma ser mais comum em raças específicas, como Turkish Van, Angorá e Siamês.
Além disso, há maior incidência em gatos brancos, especialmente quando o gene responsável pela pelagem influencia também a pigmentação ocular.
Os tutores devem estar atentos a alguns sinais de alerta:
- mudança súbita na cor dos olhos, especialmente em apenas um deles;
- secreções oculares frequentes ou alterações na pupila;
- sensibilidade à luz ou incômodo ao abrir os olhos;
- perda parcial da visão ou comportamento desorientado.
Nesses casos, o recomendado é procurar atendimento veterinário imediato.
De acordo com a Universidade de Cornell, nos EUA, a maioria dos gatos com heterocromia congênita não apresenta risco maior de perda de visão ou doenças relacionadas. No entanto, há uma correlação maior entre heterocromia e surdez congênita em gatos totalmente brancos, o que reforça a necessidade de avaliações de rotina.
“Os exames oftalmológicos periódicos ajudam a identificar precocemente qualquer alteração ocular e a garantir o bem-estar do animal”, ressalta a instituição.