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Adotar animais não convencionais exige ainda mais cuidado e preparo do tutor

Para ser consciente, decisão precisa ser pautada em informação, legalidade e responsabilidade

Diferentemente de cães e gatos, muitos desses animais têm necessidades ambientais e alimentares específicas, que podem gerar sofrimento se não forem respeitadas

Cada vez mais brasileiros buscam animais de companhia além dos tradicionais cães e gatos. Aves, roedores, peixes, répteis e até algumas espécies de invertebrados vêm conquistando espaço nos lares urbanos.

Eles são considerados “não convencionais”, e podem ser a escolha de tutores conscientes que buscam companhias diferentes, desde que o cuidado seja responsável e adequado às necessidades de cada espécie.

Segundo dados do Instituto Pet Brasil (IPB) de 2023, o país tem mais de 58 milhões de peixes ornamentais, 41 milhões de aves canoras e ornamentais e cerca de 19 milhões de pequenos mamíferos e répteis vivendo em casas brasileiras.

A adoção ou compra dessas espécies menos comuns exige ainda mais cuidado e preparo por parte dos tutores. Diferentemente de cães e gatos, muitos desses animais têm necessidades ambientais e alimentares específicas, que podem gerar sofrimento se não forem respeitadas.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) alerta que a posse responsável deve ser observada em qualquer situação:

“O bem-estar animal deve ser garantido em todas as situações, envolvendo a posse responsável, o manejo, a alimentação adequada, o acesso à água, a liberdade para expressar comportamentos naturais e o atendimento veterinário sempre que necessário” (CFMV).

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Além disso, a médica-veterinária Caroline Moura, especialista em animais silvestres e colaboradora da ONG Renctas, lembra em entrevista à Agência Brasil que “muitos tutores desconhecem a longevidade ou as exigências ambientais de certas espécies, o que leva ao abandono e até ao tráfico quando a manutenção se torna inviável”.

Entre os cuidados indispensáveis para espécies não convencionais estão:

  • Informar-se previamente sobre o manejo e a legislação de cada animal;
  • Garantir ambiente adequado, como gaiolas, aquários, terrários ou viveiros adaptados;
  • Oferecer alimentação específica, evitando improvisos;
  • Assegurar acompanhamento veterinário especializado em animais silvestres ou exóticos;
  • Nunca adquirir animais de comércio ilegal ou tráfico.

Ao optar por espécies menos populares, o tutor assume a responsabilidade de oferecer condições que respeitem o bem-estar e a natureza desses animais. Isso significa também questionar a origem do pet.

A aquisição de animais silvestres sem origem legal contribui para a exploração ilegal da fauna e compromete espécies e ecossistemas inteiros.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.