Vacinação de gatos deve estar em dia para proteger animais e comunidade

Especialistas são unânimes ao defender a imunização regular como medida essencial de cuidado

Diante da alta taxa de abandono e da circulação de doenças entre felinos não vacinados, manter os cuidados básicos em dia é um compromisso com o bem-estar animal

A vacinação é uma das principais formas de garantir a saúde e a longevidade dos gatos. Além de protegê-los contra doenças graves e contagiosas, ela também ajuda a controlar zoonoses (enfermidades que podem ser transmitidas aos seres humanos).

Ainda há dúvidas sobre o calendário vacinal ideal e a escolha entre os tipos de vacinas disponíveis, mas veterinários são unânimes ao defender a imunização regular como medida essencial de cuidado.

As vacinas estimulam o sistema imunológico a reconhecer agentes infecciosos e combatê-los antes que causem danos.

Nos felinos, a imunização previne doenças potencialmente fatais, como a panleucopenia, a leucemia felina (FeLV) e a raiva.

A Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) alerta que “a vacinação é uma das ferramentas mais eficazes na prevenção e controle de doenças transmissíveis em animais”, e isso inclui os pets de estimação.

O calendário vacinal dos gatos começa ainda filhote, geralmente entre a 6ª e a 8ª semana de vida.

A partir daí, o felino deve receber reforços e vacinas adicionais conforme recomendação do veterinário.

Para gatos adultos que nunca foram vacinados, o protocolo pode ser iniciado a qualquer momento, com doses de reforço específicas.

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Tipos de vacinas felinas e principais proteções

Existem três tipos principais de vacinas polivalentes para gatos, de acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV): V3, V4 e V5, que variam conforme o número de doenças cobertas.

Elas protegem contra enfermidades virais e bacterianas comuns entre os felinos.

  • V3 (tríplice felina): protege contra rinotraqueíte, calicivirose e panleucopenia;
  • V4 (quádrupla felina): inclui as doenças da V3 e também a clamidiose;
  • V5 (quíntupla felina): acrescenta à proteção a prevenção contra a leucemia viral felina (FeLV), recomendada especialmente para gatos que vivem em ambientes com outros felinos ou têm acesso à rua.

A vacina antirrábica é obrigatória no Brasil e deve ser aplicada anualmente.

Segundo o Ministério da Saúde, “a raiva é uma zoonose letal e de notificação obrigatória, e a vacinação de cães e gatos é a medida mais importante para sua prevenção”.

Vacinação com segurança e orientação veterinária

A imunização deve sempre ser feita por um médico-veterinário, que avaliará o histórico de saúde do animal e indicará o protocolo ideal.

“A escolha da vacina depende de fatores como idade, estilo de vida e exposição a riscos”, destaca a professora Paula Monteiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista ao portal da instituição.

Filhotes exigem um ciclo de três doses da vacina polivalente, aplicadas em intervalos de três a quatro semanas.

A partir do quarto mês, já podem receber a antirrábica. Reforços anuais é que vão garantir que a proteção continue eficaz.

Além disso, o tutor deve manter a carteirinha de vacinação atualizada e armazenar corretamente as vacinas, que devem ser mantidas sob refrigeração.

A Anvisa alerta que “a conservação inadequada pode comprometer a eficácia do imunizante”.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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