Washington Post anuncia demissões em massa e fim de editorias; veja detalhes

Cortes atingem todos os departamentos do jornal; empresa de Jeff Bezos passa por uma reestruturação

Entrada da sede do Washington Post

O jornal Washington Post, do bilionário Jeff Bezos, informou aos funcionários que iniciou o processo de diversas demissões nesta quarta-feira (4). A medida faz parte de um grande corte financeiro, que também irá acabar com a cobertura esportiva e de notícias locais e internacionais.

O editor-executivo do jornal, Matt Murray, afirmou que a empresa enfrenta prejuízos há algum tempo e já não atendia mais aos leitores, o que indicou necessidade de uma reformulação. “Sei que cada um de nós acredita profundamente neste lugar... e todos queremos salvá-lo”, disse.

“Devemos trabalhar juntos para nos tornarmos mais ágeis e encontrar novas formas de trabalhar e inovar para entender o que nossos clientes querem mais e o que querem menos”, acrescentou Murray.

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O Washington Post deve demitir cerca de um terço da equipe, que tem atualmente aproximadamente 800 trabalhadores, segundo o jornal Financial Times.

Murray disse aos funcionários da redação que todas as editorias seriam afetadas de alguma forma. Ele também afirmou que, com a mudança, o jornal irá priorizar publicações com foco em política e no âmbito nacional.

Mesmo que a seção de esportes seja fechada, Murray confirmou que alguns dos repórteres permanecerão e serão transferidos para o departamento de variedades, para cobrir a cultura do esporte.

“As ações que estamos tomando incluem uma ampla reestruturação estratégica com uma redução significativa de pessoal”, comentou o editor-executivo. A empresa também fez cortes amplos no departamento comercial.

Compra e mudanças do Washington Post

O CEO da Amazon, Jeff Bezos, uma das pessoas mais ricas do mundo, adquiriu o Washington Post por U$250 milhões em 2013. Na época, o bilionário prometeu preservar os valores editoriais do jornal.

O Post expandiu durante os primeiros anos após a compra, mas a empresa tem enfrentado dificuldades financeiras recentemente.

As demissões acontecem há anos. Em 2023, o jornal ofereceu um plano de demissão voluntária após registrar prejuízo de U$100 milhões (cerca de R$525 milhões).

Em 2024, a empresa passou por mudanças editoriais com a contratação do britânico Will Lewis para ocupar os cargos de diretor-executivo e editor do jornal para reverter a queda de audiência e assinaturas.

Ele chegou a experimentar várias mudanças para transformar a organização, adotando estratégias como o uso da inteligência artificial para impulsionar comentários, por exemplo.

No mesmo ano, Lewis havia alertado que o Washington Post estava em apuros “Estamos perdendo grandes quantias de dinheiro”, disse na época. “As pessoas não estão lendo”, completou.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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