Na ONU, Brasil condena operação dos EUA na Venezuela e defende a paz na América do Sul

Embaixador Sérgio Danese disse que, historicamente, intervenções na região geram regimes autoritários e “graves violações de Direitos Humanos

Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda-feira (5)

O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Sérgio Danese, condenou a operação dos Estados Unidos na Venezuela e defendeu a soberania do país vizinho. Em sua fala no Conselho de Segurança, nesta segunda-feira (5), o brasileiro destacou que a América do Sul é um local pacífico e reforçou o discurso de que a ofensiva pode abrir um precedente perigoso no mundo.

“A operação abre a possibilidade de que os mais fortes definam o que é justo e injusto, certo e errado, e mesmo ignorem a soberania nacional. A América Latina e o Caribe devem optar pela escolha duradoura e irreversível da paz. O uso da força evoca capítulos da história que acreditávamos estar para trás”, disse o embaixador brasileiro.

Segundo Danese, o conflito ameaça a paz internacional como um todo e o princípio da não intervenção em estados estrangeiros. O brasileiro lembrou que operações semelhantes na região resultaram em “regimes autoritários e violações muito sérias de direitos humanos”, sem citar casos específicos.

Ao reforçar o pedido de paz na região, Danese também lembrou que o Brasil possui uma extensa fronteira com a Venezuela “A América do Sul é uma região de paz e insisto que devemos manter a determinação total pela não intervenção. O Brasil não acredita que a solução para a Venezuela seja a criação de protetorados no país. Nós respeitamos a autodeterminação do povo venezuelano dentro da sua Constituição”, completou.

A operação na Venezuela

A operação militar dos Estados Unidos no último sábado (3), resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores. A ofensiva americana ocorreu após meses de tensão entre os dois países, com intensa mobilização de tropas no mar do caribe e ações contra barcos que, supostamente, seriam do narcotráfico.

A ofensiva começou logo na madrugada com o emprego de mais de 150 aeronaves em coordenação, decolando de mais de 20 pontos, incluindo o porta-aviões nuclear USS Gerald Ford. Os Estados Unidos bombardearam alvos militares para abrir caminho para soldados de elite chegarem ao palácio presidencial. No local, em 47 segundos, Maduro foi capturado.

Maduro foi levado para julgamento em um Tribunal Federal em Nova York, onde responde por uma série de crimes. A primeira audiência ocorre nesta segunda-feira (5), sendo conduzida pelo juiz Alvin Hellerstein.

Em coletiva, Trump afirmou que os EUA vão governar a Venezuela até que haja uma transição democrática no país. Ele também ressaltou o interesse nas reservas de petróleo, e afirmou que empresas americanas vão voltar a operar em território venezuelano. Atualmente, a petrolífera americana Chevron já opera com autorização especial, mas empresas como Exxon Mobil foram expropriadas do país.

Sem Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo do país. Em pronunciamento, ela afirmou que a Venezuela vai se defender da ofensiva americana e que “jamais será colônia de nenhuma nação”. “Nós estamos prontos para defender a Venezuela, nós estamos prontos para defender nossos recursos naturais, que devem ser para o desenvolvimento nacional”, disse.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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