O embaixador da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU), Samuel Moncada, cobrou que o Conselho de Segurança assuma a responsabilidade diante da operação dos Estados Unidos que resultou na
Moncada destacou que os EUA violaram o direito internacional ao realizar a ofensiva em território venezuelano e pediu respeito a imunidade de Maduro, garantida enquanto ele estava em solo nacional. “Permitir tais atos sem resposta efetiva seria normalizar a substituição da lei pela força, e erodir a paz de todo o sistema de segurança coletiva”, disse.
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“Não só a soberania da Venezuela está sob risco, mas a credibilidade do direito internacional, autoridade da ONU e o princípio de que nenhum estado pode ser o juiz e executor do mundo está sob risco”, emendou o embaixador.
O representante da Venezuela também destacou que a operação se deu por causa dos recursos naturais do país, em especial o petróleo. Segundo ele, os ataques americanos abrem um precedente perigoso e criam uma nova lógica de colonialismo. “Aceitar essa lógica significa abrir a porta para um mundo muito instável, no qual países com poder militar poderiam decidir pela força os destinos econômicos de outros estados”, disse.
“É o bombardeio de um país soberano, sequestro de um chefe de Estado. Isso tem sido tolerado e tratado com desdém. Trata como se a lei fosse opcional e a força fosse o verdadeiro árbitro das relações internacionais. A Venezuela acredita na diplomacia, diálogo e coexistência pacífica entre as nações. Essa posição se mantém, mesmo diante de uma agressão”, completou Moncada.
A operação na Venezuela
A operação militar dos Estados Unidos no último sábado (3), resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores. A ofensiva americana ocorreu após meses de tensão entre os dois países, com intensa mobilização de tropas no mar do caribe e ações contra barcos que, supostamente, seriam do narcotráfico.
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Maduro foi levado para julgamento em um Tribunal Federal em Nova York, onde responde por uma série de crimes. A primeira audiência ocorre nesta segunda-feira (5), sendo conduzida pelo juiz Alvin Hellerstein.
Em coletiva, Trump afirmou que os EUA vão governar a Venezuela até que haja uma transição democrática no país. Ele também ressaltou o interesse nas reservas de petróleo, e afirmou que empresas americanas vão voltar a operar em território venezuelano. Atualmente, a petrolífera americana Chevron já opera com autorização especial, mas empresas como Exxon Mobil foram expropriadas do país.
Sem Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo do país. Em pronunciamento, ela afirmou que a Venezuela vai se defender da ofensiva americana e que “jamais será colônia de nenhuma nação”. “Nós estamos prontos para defender a Venezuela, nós estamos prontos para defender nossos recursos naturais, que devem ser para o desenvolvimento nacional”, disse.