Guerra no Oriente Médio: Israel anuncia operações terrestres contra Hezbollah no Líbano

Pelo menos 850 pessoas foram mortas o Líbano desde o início dos ataques israelenses; ofensivas buscam acabar com ameaça do Hezbollah

Agentes da Defesa Civil libanesa inspecionam os danos no local de um ataque aéreo israelense que atingiu a vila de Houch el-Rafqa, no Vale do Bekaa, em 2 de março de 2026

O governo de Israel anunciou, nesta segunda-feira (16), que iniciou operações terrestres “limitadas” contra o Hezbollah, no Líbano. Enquanto isso, os Estados Unidos pressionam as grandes potências mundiais para que ajudem a reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã. A guerra no Oriente Médio envolvendo os três países entrou na terceira semana e não há expectativa de um acordo de cessar-fogo.

O exército israelense, que executa ataques no sul do Líbano com tropes terrestres e veículos blindados desde o início do mês de março, informou que, agora, as operações terrestres são “limitadas e seletivas contra redutos-chave” do Hezbollah na região.

No comunicado, as forças israelenses citam “esforços de defesa” para “eliminar os terroristas que operam na região”. Desde o início do conflito, pelo menos 850 pessoas - incluindo 107 crianças - morreram no Líbano durante ofensivas israelenses no país. O balanço foi divulgado pelo governo libanês.

Reabertura do Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou um apelo, também nesta segunda (16), aos países europeus e asiáticos para que eles se mobilizem e ajudem a reabrir o Estreito de Ormuz. Entre as nações citadas está a China, Coreia do Sul e o Japão.

A declaração aconteceu durante uma coletiva de imprensa em um evento no Kennedy Center, em Washington. O republicano também pediu ajuda às nações para policiar o Estreito de Ormuz, depois que o Irã respondeu aos ataques dos EUA e de Israel, utilizando drones, mísseis e minas para fechar o canal caracterizado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam pelo estreito, o que equivale a cerca de 20% do consumo global da commodity.

Sem expectativa de cessar-fogo

Trump chegou a afirmar, no último fim de semana, que o Irã tinha o desejo de fechar um acordo de cessar-fogo, mas que não aceitaria porque “os termos ainda não são bons o suficiente”. Mas, indo contra a declaração do republicano, o ministro as Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse, nesta segunda (16), que o país está disposto a continuar a guerra contra Israel e Estados Unidos “pelo tempo que for necessário”.

“Acredito que, a esta altura, eles já aprenderam uma boa lição e entenderam com que tipo de nação estão lidando, uma que não hesita em se defender e está disposta a continuar com a guerra até onde for necessário, e a levá-la tão longe quanto for preciso”, disse Araghchi em entrevista coletiva.

Já Israel mantém um discurso firme sobre o conflito, descartando um fim das operações militares no Irã e em outros países, como Líbano, em breve.

*Com informações da AFP

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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