Guerra no Oriente Médio: Estreito de Ormuz opera sob condições especiais, diz Irã

Teerã bloqueia navios inimigos por questão de segurança, afirma porta-voz; três petroleiros atravessaram a passagem marítima nos últimos dias

Transporte de 20% do petróleo global é feito pelo Estreito de Ormuz, no Irã

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou, nesta segunda-feira (16), que o Estreito de Ormuz “não está fechado”, mas funcona sob “condições especiais”. A passagem marítima é alvo de tensões nas últimas semanas, desde o início da guerra no Orinete Médio envolvendo o país persa, Israel e Estados Unidos.

“Partes que não participam da agressão militar contra o Irã têm conseguido atravessar o Estreito de Ormuz em coordenação e com permissão de nossas forças armadas”, disse Baghaei. O Estreito de Ormuz é caracterizado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam pelo estreito, o que equivale a cerca de 20% do consumo global da commodity.

O tráfego de navios pelo canal está praticamente interrompido desde o início da guerra, com o Irã permitindo a passagem de um número limtado de embarcações. Durante uma coletiva de imprensa, Baghaei destacou que a posição do país persa é coerente com a proporção do conflito, afirmando que “nenhum país costeiro em situação de ameaça permitiria que navios inimigos passassem livremente e se fortalecessem para realizar a ataques”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã acrescentou que “nenhum país costeiro em situação de ameaça permitiria que navios inimigos passassem livremente e se fortalecessem para realizar ataques”, ressaltando que EUA, Israel e aliados “não deveriam, naturalmente, poder usar o Estreito de Ormuz para atacar o Irã”.

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Petroleiros paquistaneses atravessam Estreito de Ormuz

Três petroleiros paquistaneses atravessaram o Estreito de Ormuz nos últimos 10 dias, segundo fontes marítimas do Paquistão e dados de rastreamento divulgados pela CNN. A informação pode indicar que o Irã está parmitindo a passagem segura para alguns carregamentos específicos de petróleo.

O último navio a cruzar a passagem marítima foi o Karachi, segundo uma fonte da Pakistan National Shipping Corporation (PNSC) informou à CNN. "É muito provável que a passagem segura tenha sido coordenada com os iranianos”, disse a fonte, sob anonimato.

O Karachi teria transitado pelo Estreito de Ormuz na noite do último domingo (15), navegando próximo à costa iraniana, segundo dados da Marine Traffic - uma plataforma global que rastreia e monitora o movimento de navios em tempo real.

O diretor executivo do Instituto Sanober, organização de pesquisa Islamabad, disse à CNN que é possível “presumir com segurança” que o Paquiestão tenha utilizado a via diplomática para que a Guarda Revolucionária do Irã autorizasse a passagem dos navios nos últimos dias.

Segundo Qamar Cheema, o Irã “compreende as preocupações econômicas do Paquistão” e é improvável que Islamabad tenha feito concessões ao país, dado o “apoio estatal e social do Paquistão ao Irã”.

*Com informações da CNN

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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