O rei da Espanha, Felipe VI, admitiu, nesta segunda-feira (16), que houve “muito abuso” durante a conquista espanhola da América, apesar de um suposto “desejo de proteção” dos indígenas por parte dos reis católicos.
“Os reis católicos, a rainha Isabel com suas diretrizes, as leis das Índias”, tiveram “um desejo de proteção, que depois a realidade faz com que não se cumpra como se pretendia e houve muito abuso”, afirmou o chefe de Estado em um vídeo publicado pela Casa Real no X, antigo Twitter.
O monarca expressou-se desta forma numa conversa informal com o embaixador do México em Espanha, Quirino Ordaz , durante uma visita à exposição no Museu Arqueológico, como se pode ver num vídeo divulgado pela Casa Real nas redes sociais.
“Houve também lutas, digamos, controvérsias morais e éticas sobre como o poder é exercido desde o primeiro dia, ou seja, pelos próprios Reis Católicos com suas diretrizes, as Leis das Índias, através do processo legislativo. Também, como eu disse antes, devemos valorizar o fato de que, a partir desse conhecimento, apreciaremos mais uns aos outros”, acrescentou o Rei.
“Esta exposição abre uma janela de conhecimento, interesse e curiosidade sobre algo tão poderoso e tão característico do México e de todas as culturas mesoamericanas”, disse ele, acrescentando que é “muito bonito ver como as civilizações enfrentaram seus momentos de luta, conflito e controvérsia”.
Na opinião dele, é algo que os jovens deveriam saber “para se valorizarem” em ambos os lados do Atlântico, porque “afinal, essa cultura mista que nasceu lá, na América, é o que nos define hoje”, argumentou, congratulando-se com a “feliz história” de poder trazer esta exposição a Madrid.
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Histórico
A controvérsia entre a Espanha e o México sobre este assunto eclodiu em 2019, quando o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador exigiu que o rei Felipe VI se desculpasse pelos abusos cometidos durante a Conquista da América.
A iniciativa, apresentada como um gesto de “reconciliação histórica” com os povos indígenas e acompanhada de um pedido semelhante ao Papa Francisco, foi rejeitada categoricamente pelo Governo espanhol, que se recusou a assumir a culpa institucional por eventos ocorridos há cinco séculos.
(Sob supervisão de Lucas Borges)