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Submarino desaparecido: expedição ao Titanic completa um ano; veja últimas fotos da tripulação

Cinco passageiros, entre eles, o CEO da empresa responsável pelo passeio, OceanGate, morreram na tragédia; investigações ainda não estão concluídas

Você se lembra do dia 18 de junho de 2023? Nesse dia, ocorreu um dos acontecimentos mais comentados do ano passado: a implosão de um submarino que estava em expedição para ver os destroços do Titanic.

Nesta terça-feira (18), faz um ano a expedição do submarino Titan, criação da OceanGate, que desapareceu pouco mais de uma hora depois de submergir no Oceano Atlântico, a cerca de 600 quilômetros da costa do Canadá. O submersível ia em direção aos destroços do Titanic, que ficam a 3.800 metros da superfície.

De acordo com a guarda-costeira americana, cinco passageiros estavam no submarino: Stockton Rush, Shahzada Dawood e seu filho Suleman Dawood, Hamish Harding e Paul-Henri Nargeolet. A OceanGate cobrou US$ 250 mil (R$ 1,19 milhão) de cada passageiro por um lugar no veículo marítimo para ver os destroços. Apenas cerca de uma hora e 45 minutos após o início da expedição, o submarino perdeu contato com a terra e desapareceu.

A tripulação morreu na implosão, causada pela força da pressão na estrutura do submersível. Cerca de 80 horas após o desaparecimento, quando a reserva de oxigênio do veículo já estaria no final, foi anunciada a descoberta dos destroços.

Um dos passageiros do submarino turístico era Hamish Harding, cofundador e presidente da Action Aviation, uma empresa especializada em serviços de aviação e aeroespaciais. Na época, o enteado de Harding afirmou no Facebook que o padrasto estava “desaparecido em um submarino” e pediu orações.

O próprio Harding havia postado no Facebook, no domingo (18), que estaria a bordo do submarino. Pelo texto dele, entendia-se que, a princípio, o clima estava desfavorável para a submersão, mas que o tempo havia melhorado. Não houve mais postagens dele desde então.

Investigações

Mesmo tanto tempo após a tragédia, as investigações sobre o caso continuam inconclusivas, e o julgamento foi adiado por tempo indeterminado. De acordo com a United States Coast Guard (Guarda Costeira dos Estados Unidos), responsável pelo caso, e também pelas operações de resgate ao submarino no ano passado, as investigações deveriam ser estendidas. Inicialmente, eram previstas para serem concluídas neste mês de junho.

A principal hipótese é a de que a embarcação implodiu por uma falha técnica causada por erro ou negligência, que fez com que o submarino cedesse à imensa pressão no fundo do mar, gerando uma implosão imediata e total.

Um dos principais complicadores para o avanço das investigações é o fato de que o CEO da OceanGate, norte-americano Stockton Rush, que poderia responder a questionamentos da Guarda Costeira, estava a bordo da embarcação, com milionários e um pesquisador. Os cinco morreram na hora, segundo a principal linha de investigação.

Implosão

A principal hipótese da Guarda Costeira dos Estados Unidos é de que o submarino da OceanGate tenha implodido. Porém, ainda falta “uma compreensão abrangente” do evento, para que os atuais protocolos sobre expedições em submarinos possam ser revistos e atualizados.

Mas o que seria uma implosão?

A implosão é o exato contrário de uma explosão, ou seja, é quando um objeto colapsa em direção ao seu centro. No caso da explosão, a força é liberada para fora, a partir do centro do objeto. O submarino corre o risco de implodir, porque o seu interior tem uma pressão menor do que o exterior. É o que explica Thiago Tancredo, engenheiro naval e professor da Universidade Federal de Santa Catarina.

Implosão é um efeito que acontece quando você tem uma pressão externa maior do que a pressão interna. A implosão é a perda da integridade estrutural de uma estrutura sujeita à compressão. É rigorosamente o fenômeno que acontece quando você esmaga uma latinha de refrigerante vazia: é uma estrutura de parede fina, sujeita a uma pressão externa maior que a interna, e a estrutura colapsa com as paredes indo em direção ao centro, esmagando tudo que tem no seu interior”.

Um vídeo em animação 3D que mostra o que pode ter acontecido com os passageiros no processo passou de 6 milhões de visualizações.

Para explicar os efeitos, o vídeo da “Atomic Marvel” usa o modelo de um submersível da empresa OceanGate. A animação mostra como a pressão no submersível teria gerado uma implosão (de fora para dentro) em 20 milissegundos, com uma “resposta de dor cerebral” de 150 milésimos de segundos.

O engenheiro e especialista em submarinos, José Luis Martín, afirmou após alguns cálculos que os cinco passageiros do Titan sentiram que o submarino iria implodir 48 segundos antes de acontecer. Os cálculos foram feitos a pedido do jornal espanhol Nius e “determinaram que o submersível poderia ter estado entre 48 segundos e 1 minuto e 11 segundos desde a perda de estabilidade até a implosão.”

Destroços encontrados

Dia 22 de junho de 2023, quatro dias após o desaparecimento do submarino da OceanGate, em meio a uma megaoperação para tentar achar sobreviventes, sondas enviadas pelos Estados Unidos, Canadá e França identificaram alguns destroços no fundo do mar em uma área próxima ao Titanic. Horas depois, autoridades confirmaram que se tratava dos restos do submarino da OceanGate.

A localização de destroços ocorreu cerca de cinco horas depois de esgotar o prazo máximo de duração de oxigênio dentro do submarino. Os destroços foram levados a um porto da costa oeste dos Estados Unidos.

Veja as fotos da tripulação do submarino desaparecido

Pouco antes da expedição, o empresário e explorador Hamish Harding confirmou nas redes sociais que participaria da viagem, e a empresa dele, a Action Aviation, publicou imagens dos preparativos para o passeio. São as últimas fotos da tripulação antes do mergulho, a cerca de 600 quilômetros da costa de Newfoundland, no Canadá.

Qual é a profundidade dos destroços do Titanic?

O Titanic, operado pela White Star Line, afundou em sua viagem inaugural pelo Oceano Atlântico em 1912, após colidir com um iceberg. Mais de 1.500 pessoas morreram. O famoso naufrágio fica a 3.800 m no fundo do Atlântico. Os restos do maior navio da sua época ficam a cerca de 600 km da costa de Newfoundland, no Canadá.

Para se ter ideia, o fundo do mar é mais perigoso que o espaço. Enquanto, no fundo do mar a pressão é muito alta, no espaço a condição é contrária: foguetes possuem uma pressão interna muito maior que a externa. Exatamente por isso, especialistas acreditam que é mais seguro viajar para fora da atmosfera terrestre do que para as profundidades do oceano.

“No espaço a pressão interna da espaçonave é maior do que a pressão externa, e aí existe uma tendência de expandir o casco, o que é muito mais tranquilo e muito mais seguro do que a compressão do casco, o que acontece com o submarino. É só você imaginar facilidade que existe quando você pega uma latinha de refrigerante vazia e tenta amassar; com muita facilidade você esmaga”, compara o engenheiro naval.

Com a implosão, Thiago Tancredo acredita que seja difícil encontrar os restos mortais dos cinco passageiros do submarino da OceanGate. O engenheiro destaca que não é especialista para detalhar o que acontece com o corpo humano, mas que provavelmente apenas os ossos vão resistir.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
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