ONGs avaliam saída de empresas da Moratória da Soja como ‘grave retrocesso’

Greenpeace, WWF e Imaflora emitiram comunicado conjunto sobre decisão da ABIOVE de deixar Moratória da Soja

Comunicado cobra atitude dos grandes compradores de soja

O Greenpeace Brasil, o WWF Brasil e o Imaflora emitiram um comunicado conjunto nessa segunda-feira (2), avaliando a saída da Moratória da Soja pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). As entidades classificam a situação como um “grave retrocesso ambiental, com possíveis impactos nas taxas de desmatamento da Amazônia”.

“Ao esvaziar a Moratória, essas empresas assumem integralmente a responsabilidade pelos impactos ambientais, climáticos e reputacionais decorrentes da possível retomada do desmatamento associado à soja na Amazônia. Sem um mecanismo equivalente, transparente e independente de controle do desmatamento, a saída dessas traders reintroduz o risco de que a soja brasileira volte a estar diretamente ligada à destruição da floresta”, diz o documento.

O comunicado cobra que os grandes compradores de soja exijam, de seus fornecedores, a manutenção dos critérios ambientais da Moratória da Soja. “Transparência e responsabilidade socioambiental não são opcionais”, dizem as entidades.

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Varejistas europeus pressionam tradings que deixaram Moratória da Soja

Um grupo de varejistas da Europa ameaçou reaver contratos com fornecedores que não mantiveram os compromissos da Moratória da Soja da Amazônia. Em carta enviada aos executivos do setor, os empresários europeus cobraram respostas que devem orientar futuras decisões de compra.

O documento veio do Retail Soy Group (Grupo de Varejo de Soja, em português), associação independente de varejistas internacionais que trabalham em conjunto para encontrar soluções para a indústria relacionadas à soja. É assinado por redes como Tesco, Lidl, Marks and Spencer, ALDI Nord Group, ALDI Süd, Swiss Soy Network e outras.

A carta foi destinada aos CEOs das cinco maiores tradings do mundo, com cópia para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar. As empresas são ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company e Cofco.

Na carta, os varejistas dizem estar “profundamente desapontados” com a decisão da Abiove de se retirar da Moratória da Soja. O texto pressiona as tradings e cobra um posicionamento definitivo sobre a adesão de forma independente.

Além disso, o documento pede transparência para assegurar que a soja comprada na Amazônia esteja livre de desmatamento. Segundo os varejistas, isso deve ocorrer por meio de sistemas independentes de monitoramento, divulgação e verificação. O prazo para resposta é 16 de fevereiro.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

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