O Brasil registrou aumento no número de imóveis rurais inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) entre 2024 e 2025, somando 436,9 milhões de hectares cadastrados. Porém, dados do Termômetro do Código Florestal revelam que o país ainda tem 24,6 milhões de hectares fora do sistema, o equivalente a 5,32% da área que deveria estar registrada.
O CAR é um registro obrigatório para todo imóvel rural. O documento é um registro público e serve para atestar a conformidade da área com o Código Florestal, monitorar áreas de preservação e ainda pode conceder o crédito agrícola a produtores rurais.
O relatório aponta que, além da área fora do radar do Código Florestal, ainda há os chamados vazios fundiários. Trata-se de territórios sem informação sobre titularidade. Ao todo, são aproximadamente 67 milhões de hectares “sem dono”.
A fragilidade dos registros também é um problema. Em 2024 e 2025, as sobreposições de imóveis rurais com unidades de conservação cresceram 9%, ritmo superior ao aumento de 5% no volume total de registros do CAR no período.
Segundo o estudo, não houve redução no desmatamento ilegal em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e reservas legais. O passivo nacional de reserva legal chegou a 17,3 milhões de hectares, enquanto o déficit em APPs subiu para 3,14 milhões de hectares.
Simultaneamente, a vegetação nativa registrou crescimento. O remanescente de Reserva Legal subiu para 98,6 milhões de hectares e o excedente alcançou 70 milhões de hectares, crescendo cerca de 2 milhões de hectares em relação ao período anterior.