Cientistas usam pele de peixe amazônico para criar biofilme que substitui plástico

Material biodegradável pode substituir embalagens de alimentos feitas de material sintético como o petróleo

Espécie escolhida foi o tambatinga, por ter pele rica em colágeno e aminoácidos

Pesquisadores desenvolveram um biofilme que pode ser usado na embalagem de alimentos feito a partir da pele do peixe amazônico tambatinga. O estudo da Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos (SP), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), é eficiente, biodegradável e pode representar uma alternativa para embalagens feitas de material sintético, como o petróleo.

A espécie foi escolhida por seu desempenho no crescimento e por ser uma fonte de matéria-prima rica em colágeno. A pele do peixe tem níveis elevados de aminoácidos, o que pode melhorar a propriedade natural da gelatina derivada do material.

No estudo, o tambatinga foi usado como base para a produção de polímeros biodegradáveis, que substituem os filmes feitos de material sintético. “Trabalhamos há mais de 25 anos no desenvolvimento de filmes à base de biopolímeros, como proteínas e polissacarídeos, com o objetivo de aplicar esse material em embalagens de alimentos e diminuir o impacto ambiental, já que existem muitos problemas ligados ao acúmulo de embalagens sintéticas na natureza”, conta o engenheiro de alimentos Paulo José do Amaral Sobral, participante da pesquisa.

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Primeiro, os cientistas limparam a pele dos peixes e extraíram a gelatina do material com água quente e ácido acético. Depois, prepararam os filmes, usando 2 gramas de gelatina para cada 100 gramas de solução formadora de filme. O resultado foi um material transparente, flexível e com superfícies uniformes.

O filme é resistente, tem capacidade de bloquear raios ultravioleta e pouca permeabilidade ao vapor de água em comparação com outros materiais à base de gelatina. Contudo, o material apresenta sensibilidade à umidade que precisa ser aprimorada. “Por esse motivo, por enquanto, eles só têm aplicação em produtos desidratados, como nozes e castanhas”, afirma Sobral.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

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