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Eleição em BH: Duda quer união da esquerda e defende uso de pesquisas para definir ‘cabeça’ de chapa

Parlamentar sugere, inclusive, registro de compromisso de aliança em cartório; coalizão, segundo ela, seria formada em prol de viabilidade eleitoral

Pré-candidata do PDT à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a deputada federal Duda Salabert acredita na possibilidade de união de partidos da centro-esquerda à esquerda em apenas um palanque na eleição deste ano. PT, Rede Sustentabilidade, Psol e PSB têm pré-candidatos próprios, mas Duda defende a utilização das pesquisas eleitorais como método de definição do nome do campo progressista.

Em entrevista à Itatiaia, ela propôs que o pré-candidato ou pré-candidata mais bem cotado nas sondagens feitas na metade do ano seja definido como representante de uma coalizão pluripartidária.

“Eu assumiria esse compromisso, inclusive em cartório, se for necessário. (Quando) chegar julho, o nome do campo progressista que estiver em primeiro lugar nas pesquisas, que as outras candidaturas retirem o nome e apoiem essa candidatura, fazendo uma grande frente popular e progressista. Eu defendo isso. Mas as vaidades partidárias de alguns impedem, por exemplo, essa unificação do campo progressista”, disse.

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Apesar de citar as supostas “vaidades partidárias”, Duda afirmou crer em um possível acordo.

“Ainda há tempo. Os debates têm se aprofundado. Acredito que, sim, é possível chegar a esse momento”, completou.

Da centro-esquerda à esquerda, são pré-candidatos em BH o ex-vice-governador Paulo Brant (PSB), o deputado federal Rogério Correia (PT) e as deputadas estaduais Ana Paula Siqueira (Rede) e Bella Gonçalves (Psol).

Neste momento, a única união futura já certa é a de Rede e Psol. As legendas formam uma federação partidária e terão de definir uma candidatura única — ou caminhar lado a lado, ainda que em apoio a uma terceira sigla. Recentemente, sob protestos de Ana Paula, a cúpula da Rede em BH aprovou resolução que entrega aos pessolistas a tarefa de definir um postulante ao Executivo municipal.

Para Duda Salabert, a formação de uma frente ampla serviria para dar viabilidade eleitoral aos partidos de orientação progressista.

“Não temos só de disputar a eleição para marcar uma posição. Temos de disputar para, de fato, ganhar”, apontou.

Busca por ‘denominador comum’

Duda Salabert afirmou que as conversas sobre uma possível união de partidos já têm acontecido. Segundo a parlamentar, a missão inicial é construir um arcabouço de propostas com “denominadores comuns” entre as diferentes forças à esquerda.

“Antes de tudo, há que se discutir o programa. Temos de pensar um programa que, de fato, esteja voltado para resolver um dos maiores problemas de Belo Horizonte: a desigualdade social e econômica. Temos bairros em Belo Horizonte cuja qualidade de vida se assemelha a da Noruega. E temos outras regiões de BH cuja qualidade de vida se assemelha aos países mais pobres da África. Então, há uma desigualdade econômica histórica e estruturante. Urge a gente pensar um programa, que não é de de quatro anos, mas de décadas, para a superação dessa crise”, apontou.

Embora tenha garantido ter bom trânsito junto a outras lideranças de seu campo político, Duda afirmou que há lideranças com certa resistência a uma possível unificação.

“Temos dialogado a fim de construir um programa que tenha denominadores comuns para a superação desses problemas. Penso que é possível, sim, ter um nome único. Tenho dito para todos. Não vou citar nomes, mas alguns acham a ideia boa; outros, fogem do assunto”, encerrou.

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A hipótese de formação de uma aliança aventada por Duda Salabert já havia sido citada, por exemplo, por Rogério Correia — que acredita ser o mais capaz de unificar os partidos da base aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“No epicentro da política — e Belo Horizonte está no epicentro da política — é a capital que o PT escolheu como prioridade. Então, isso também faz parte do diálogo nacional, e temos conversado com os partidos. Então, ainda há tempo. Vamos buscar, ao máximo possível, essa unidade, porque não é possível a gente ter, em BH, uma candidatura — ou um prefeito — de ultradireita. Seria um atraso muito grande para a cidade”, assinalou Rogério, também à Itatiaia.

Bella Gonçalves também prega um acordo entre os partidos à esquerda.

“O campo político que se unir vai ganhar a eleição e levar a prefeitura este ano. Nós temos hoje um cenário de muita indefinição. São mais de 12 pré-candidatos e temos cerca de 70% a 90% da população sem saber em quem votar. Na pesquisa de voto espontâneo, nenhum candidato supera os 3% das intenções de voto”, falou.

O discurso dos pré-candidatos vai ao encontro do que defendeu Lula em janeiro, quando visitou BH ao lado de uma comitiva ministerial.

“O que temos de trabalhar é sempre com a perspectiva de quem vamos enfrentar mais à direita, mais conservador, para que a gente possa não cometer o erro de entregar Belo Horizonte outra vez a uma pessoa extremamente de direita, um fascista. É isso que temos de pensar”, considerou.

O PT, vale lembrar, caminhou com o PSD do prefeito Fuad Noman, pré-candidato à reeleição, em 2022. À ocasião, o partido apoiou a candidatura do pessedista Alexandre Kalil ao governo. Como já mostrou a reportagem, o PSD pensa, por ora, em construir um cordão de alianças ao centro. Uma eventual conversa com a federação PT-PCdoB-PV deve ficar para um segundo momento.


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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
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